quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Lucro

 Mesmo que você acredite que lucro não serve nenhuma função social, ou informacional na produção, e é um roubo que capitalistas extraem dos trabalhadores.

Imagina achar que ter o estado gerindo todas as empresas não imporia um custo e prejuízos de ineficiência absurdamente superiores aos lucros quanto a todos os setores, e renda de trabalhadores.

Custos

 Governos não entendem que publicar os custos, e manter absurdos registros e intermináveis agencias, isso não serve para fiscalizar ou controlar absolutamente nada do gasto de dinheiro publico.

O que mantem a honestidade, e confiança nos custos, e retornos de empresas privadas, é que elas sofrem ameaças de prejuízo, e estão o tempo todo buscando o lucro, e retorno para seus investimentos.
Uma empresa privada pode mentir em um registro o quanto quiser, mas a necessidade do lucro, e a ameaça de falência é algo inescapável, e grande padrão pela qual empresas privadas são avaliadas.
E é exatamente essa avaliação que sujeita empresas a um controle, e dever de honestidade, e retorno para investidores, que empresas publicas não podem replicar.

Contrato social

 Pessoas adoram zoar a ideia do contrato social, mas eu acredito que esse conceito mostra o maior avanço, e a real contradição do liberalismo.

A ideia de que a única forma justificada de governo é um contrato, um ato de vontade e expressão de desejo dos cidadãos, representa um enorme avanço em relação aos governos justificados divinamente, ou por hierarquias naturais anteriormente.
Mas o real defeito nessa definição, vem do fato que o contrato social não realmente é um contrato, e tal por sua própria natureza não pode permitir, ou dar liberdade para sua própria revogação ou mudança pelos indivíduos.

Calculo economico

 A melhor resposta dos comunistas ao problema do calculo econômico, é admitir sua validade, e buscar mudar profundamente a natureza da economia.

Se você simplificar a economia, sistema de produção e distribuição a um nível absurdo, e desistir de ter um sociedade industrial tecnologicamente avançada, é possível realizar planificação, e organização econômica deliberada.
A solução para o problema da complexidade, fluxos de informação, e tecnologias, que apenas podem ser processados por meio de mercados e cadeias complexas, é abandonar tudo isso.
Ou seja uma sociedade comunista seria um fazendão comunitário, com complexidade econômica e tecnologias de épocas remotas, e com pouquíssimo potencial e capacidade de desenvolvimento.
Se essa é sua ideia de liberdade eu admito que ela é completamente possível e realizável, eu só considero isso tudo um pavor.

Descentralismo socialista

 Eu sempre encontro uma contradição insuperável na tradição socialista, entre a ideia de planificação, uma única organização capaz de organizar e planejar toda a economia, com o ideal profundamente democrático, e descentralista de participação popular e dialogo. O problema é precisamente pensar como esse único plano que iria coordenar e organizar todas as decisões de produção e economia, pode ao mesmo tempo manter um caráter descentralista, que permita real participação da população, um diálogo e formação de consenso.

A ideia do único plano, a abolição de concorrência e divisão, e o surgimento de uma única arena de decisão coletiva, aponta para um caráter altamente centralista e autoritário. Já a esquerda jura que esse plano teria um caráter democrático, e traria enorme possibilidade de escolha.
A enorme maioria das tentativas de resolver essa tensão são absurdas, como a ideia que a democracia seria limitada a eleger representantes, e um grupo de tecnocratas os quais elaborariam um plano e organizariam toda a economia. Isso é, criar uma ditadura de técnicos muito mais autoritária que qualquer regime histórico, cujo único caráter popular seria representativo. Ou a brilhante ideia de decidir por democracia direta e intermináveis assembleias, todos os assuntos e plano econômico. Ou seja, decidir tudo por votos de popularidade, e os métodos mais ineficazes e lentos imagináveis.
O fracasso do socialismo real em enorme medida expressa essa tensão, e incapacidade de expressar essa grande participação popular, e democracia, por meio de planos e planejamento econômico.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Calculo economico revisitado.

Entre os comunistas, e pessoal de esquerda, tais afirmam de forma constante que o desafio levantado por Mises, e Hayek em relação a abolição da propriedade privada quanto aos meios de produção, tais argumentos quanto a impossibilidade do comunismo já foram há muito superados. Agora eu vejo poucas pessoas realmente entendendo qual é o real problema, com propriedade comunal sobre os meios de produção, logo queria esclarecer o assunto.




No fundo a preocupação de Mises e Hayek é com a utilização da informação, como um sistema complexo como a economia pode utilizar inteligência e informações muito superiores a de qualquer agente envolvido nesse processo. O uso descentralizado do conhecimento por indivíduos em uma economia de mercado, é uma absoluta necessidade, pois uma sociedade tecnologicamente complexa como a atual apresenta uma complexidade sistêmica, muito superior as capacidades de compreensão, e inteligência individual humana.

 

Então o argumento básico é que o sistema de preços, e a propriedade privada, são as instituições que permitem o uso do conhecimento disperso, e descentralizado por toda a sociedade pelos indivíduos. Por meio dele agentes podem se guiar em suas escolhas, e ações individuais pelas valorações, operações, e informação sendo transmitida por todos os outros agentes, e indivíduos envolvidos nesse sistema. Logo o sistema de preços tem por sua principal função, não a realização de contabilidade, ou promover incentivos para o trabalho. Mas sim tal é o mecanismo de transmissão das informações fáticas, e sistêmicas, que guiam e auxiliam cada agente em sua tomada de decisões, e ações.


Agora o sistema de preços não é o único mecanismo pelo qual informações descentralizadas, e dispersas pela sociedade são acessadas por indivíduos. Tradições e costumes servem um papel similar, por meio delas indivíduos encontram guias de ação, e práticas que se encontram baseadas em informação, e conhecimento descentralizada construído por centenas de anos, os quais os auxiliam na tomada de decisões, e que guiam ação individual. Uma instituição como a família não é um mecanismo deliberado, e racionalmente construído por um indivíduo. Mas sim uma construção milenar de milhares de anos, de conhecimentos e práticas, que guia indivíduos em suas ações e condutas.

 

Logo o que eu gostaria de perguntar é: O que pode substituir o sistema de preços, como mecanismo capaz de transmitir a informação, julgamentos e operações de toda a sociedade? Qual o mecanismo de transmissão, e uso descentralizado de informação que comunistas defendem para alcançar qualquer racionalidade, e complexidade em seu sistema econômico?

 

Eu realmente nunca encontrei nenhuma resposta satisfatória nesse sentido. Nenhuma das alternativas apresentadas como tradição, ou planejamento central chegam perto do nível de inteligência para cumprir esse papel. 

Contra Políticas Públicas baseadas em evidências.

Vamos lá, pois todo mundo gosta de começar a discussão e crítica que eu fiz sobre políticas públicas baseadas em evidencias, distorcendo o que eu sou contra. Primeiro pois essa não é uma crítica a evidencias em si. É obvio que pessoas devem tentar saber, ter acesso aos melhores dados estatísticos, modelos e previsões sobre o impacto de políticas públicas. Esse não é o questionamento que absolutamente ninguém está fazendo.



Todo mundo também adora começar formulando o conceito de políticas públicas baseadas em evidencia, de uma forma que busca responder o que eu estou criticando em parte. Pois a própria questão é que as evidencias, dados e preocupações empíricas, estariam expulsando a discussão política valores e fins que agentes deveriam escolher da discussão sobre políticas públicas. Meu ponto é que a ciência, ou evidencias não tem muito a dizer sobre a escolha de fins, valores éticos, visão de sociedade, e fins que uma pessoa aplicando politicas publicas escolhe e decide aplicar em uma sociedade. O máximo que ramos como evidencias, e a economia podem demonstrar, é como certos meios, e medidas funcionam na pratica, como meios para alcançar esses fins.

Por exemplo um comunista que vê no mercado necessária alienação, e exploração da classe trabalhadora. Explicar para ele os resultados que extinguir relações de mercado trazem para a sociedade como um todo é um não argumento para responder as políticas públicas, e medidas que ele deseja aplicar. Pois aqui temos uma controvérsia sobre os fins, valores que desejamos alcançar com uma determinada medida, não uma controvérsia sobre fatos, e efeitos de políticas públicas. O pessoal baseado em evidencias em enorme medida tende a evitar discussões sobre fins, visões de mundo e princípios que agentes escolhem, como assuntos dogmáticos, os quais não merecem discussão, matéria irracional a qual não é um objeto próprio da política. Essa é a primeira crítica.

Outro ponto de absoluta importância é compreender como as evidencias, e descobertas empíricas não são a realidade. Tais são um método de estudo, forma de olhar eventos, e o que está acontecendo sobre uma determinada perspectiva. Todo cientista ao analisar um evento tem uma perspectiva, interpretação, recorte do real e dos dados, que está tentando apresentar. Nenhum estudo ou evidencias analisam o todo, ou apresentam todas as perspectivas e interpretações possíveis sobre um fenômeno.

Agora o pessoal baseado em evidencias, realiza uma transmutação particularmente interessante, quando se argumenta sobre evidencias, certos estudos e teorias. Pois teorias, evidencias estudos estatísticos e fatos deixam de ser um argumento, parte de uma hipótese e elaboração cientifica, passível de questionamento e duvida e que deve ser interpretada como a resposta de apenas um ramo e área de estudo limitada para o assunto. Tais evidencias, hipóteses e fatos levantados em pesquisa se tornam a realidade, única e inegável verdade sobre os eventos. Logo ao se questionar tais coisas, duvidar de conclusões, pressupostos e pesquisas você se torna um negacionista, não um cético que racionalmente tem dúvidas sobre tal perspectiva, uma visão e pressupostos diferentes para olhar um problema. Negar que as evidencias da política pública são argumentos, interpretações e hipóteses, as quais as precisam ter sua validade comprovada não presumida é um erro comum de nossos especialistas baseados em evidencias.

Basicamente o real problema do pessoal baseado em evidencias é como tais querem limitar discussões, questionamentos a uma discussão de um grupo de especialistas, excluindo demais considerações áreas de estudo e conhecimento humano como irracionais questões que não devem ser discutidas. Tal é um projeto geral aonde certas produções e elaborações são reconhecidas como cientificas e validas, já as demais são não argumentos e não devem ser admitidas. Pelo menos é assim que eu enxergo toda essa questão e crítico.

For Takver

Ancoms não são anarquistas.

  Marxistas e ancoms todos tem a pior ideia possível, de síntese entre a sociedade civil, e o estado. Tais não são estatistas em um sentido ...