terça-feira, 15 de setembro de 2020

O problema do cálculo econômico sobre o socialismo.



Uma confusão muito comum na esquerda, se encontra na crença que o socialismo teria dado errado, principalmente pela emergência de regimes totalitários, que teriam pervertido o socialismo, destruindo a democracia. Uma análise mais cuidadosa, demonstra que a aparição de ditaduras, foi mais um sintoma, do que a real causa do fracasso de certos regimes.

Socialistas, ao aceitarem o controle governamental dos meios de produção enfrentam uma contradição inescapável. De um lado tais tinham os fins de maior liberdade, democracia, produtividade, elevação da qualidade de vida das pessoas, particularmente dos mais pobres. No entanto controle governamental dos meios de produção, torna impossível a realização desses fins. Com os meios de produção em posse do governo, não existe um mercado para meios de produção, não existindo um mercado, não existe um sistema de preços, capaz de alocar os meios de produção, conforme oferta e demanda, pelas necessidades das pessoas. O resultado logico aqui é o completo caos econômico.

Encarando a impossibilidade do socialismo em realizar seus próprios fins, a resposta de muitos regimes foi brutal. Os remanescentes da propriedade privada, e muitos dos ideais de liberdade e democracia, levaram a culpa pelas dificuldades que planejadores centrais encontravam em sua tarefa de reorganizar a sociedade. Essa resposta deu origem aos governos totalitários, e calamidades que observamos no socialismo histórico.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O mito de laissez faire no século 19.

 

Talvez uma das mais interessantes lendas sobre o liberalismo, se encontra na narrativa encontrada tanto na esquerda quanto na direita, que já tivemos algo muito próximo a liberalismo completo, no século 19. Apesar de ser absurdo essa descrição da era em que prevaleceram diversas formas de estatismo, conquista colonial, e militar de amplas partes do mundo, escravidão, e em que inclusive a enorme maioria das pessoas, incluindo mulheres e diversos grupos, eram excluídas da participação política, e econômica. Essa é supostamente a era de ouro do liberalismo.


No entanto não é necessário ser um gênio, para compreender porque é politicamente útil tanto para direita quanto para a esquerda, manter esses mitos sobre o século 19. A esquerda, como nosso famoso garoto Jones Manoel adora fazer, pode descrever o liberalismo como o pior regime do universo, se utilizar dessa era de ouro para condenar completamente essas ideias políticas. Assim justificando o fato que tais precisam ser abandonadas, e destruídas no mundo contemporâneo.


Já a direita, pode se utilizar desse fantasma de um perfeito século 19, que deseja conservar, para com sua retorica de defesa do livre mercado, promover as exatas medidas que vão destruir liberdades, e impedir a realização de uma sociedade livre.


Agora é importante para liberais não caírem nesse jogo, e se imaginarem como os defensores do imperialismo britânico, ou das brilhantes realidades do século 19. Esse é o jogo, e debate que a esquerda deseja travar com vocês, com autores como Domenico Losurdo, enumerando as bilhões de mortes que teriam sido causadas pelo liberalismo. Logo é necessário entender como essa realidade, e passado, está completamente contra tudo que liberais defendem, e precisa ser criticada, e repudiada de todas as formas possíveis.

domingo, 23 de agosto de 2020

A impossibilidade da renovação da esquerda.

POR QUE OS CRISTÃOS REPROVAM O PT, PSOL, PSTU, PCO, PCDOB, PSDB ...

Então, os partidos PSOL, e PDT, decidiram vetar candidatos que passaram por grupos de renovação política.  Nossa esquerda que não fez absolutamente nada de errado nos últimos anos, julga que o importante agora é manter seu purismo ideológico, negando a influência perniciosa desses grandes movimentos por renovação.

Agora a atitude em si é algo menor, mas representa um sintoma do problema maior da esquerda, sua incapacidade de renovação, e trazer soluções novas, para os problemas da sociedade.

Por consistirem daqueles que dizem se importar enormemente com a causa dos mais pobres, o que impressiona na esquerda é sua completa incapacidade de propor absolutamente qualquer coisa, que realmente melhore a vida dos mais necessitados.

A ideia ruim preferida da esquerda, socialismo, é algo que foi tentado em todos os continentes gerando imensos e inegáveis fracassos em todas as tentativas. Em face de exemplos como a Venezuela, ainda temos uma esquerda que enxerga o socialismo como modelo, e direção para o futuro de nossa sociedade. Que o resultado da tentativa, tenha sido enorme miséria, quebra da economia venezuelana, e a destruição da qualidade de vida de milhões de pessoas, parece um detalhe menor, quando se consideram os supostos méritos socialismo. Ao contrário de enormes setores da população, eu ainda não esqueci o fato que muito da dita esquerda moderada Brasileira, glorificava o socialismo do século 21 venezuelano, e queria exportar esse modelo para o Brasil.

Eu não vou elaborar esse ponto, mas gostaria que você considere que talvez a social democracia, e formas mais moderadas de socialismo, também trouxeram péssimas consequências para os mais pobres. Não existe nada radicalmente diferente entre o comando do estado democrático, e muitas das ordens de um país socialista. Pedir que o governo faça algo, consiste de principalmente defender a aplicação de violência, uma ordem que será aplicada aos outros, sem sua concordância, e muito da capacidade de discuti-la. A natureza, e o que governos usualmente realizam, isso não magicamente se transforma pelo fato de existir uma eleição a cada 4 anos.

Os resultados de principalmente dar ordens aos pobres, por meio da violência, não foi enorme expansão da riqueza, e melhora das condições de vida da população. Na verdade, muitos dos locais que mais rigidamente seguiram esse sistema, são exatamente regiões aonde a qualidade de vida exatamente dos mais pobres, se encontram piores. Governos não consistem dessa instituição magica, e particularmente funcional para resolver problemas, e ineficiências econômicas. Temos um estado governado por Jair Bolsonaro, não por um filosofo sábio, e bondoso, capaz de tomar decisões racionais, e realmente chegar a decisões corretas.

Os brasileiros vivem uma situação peculiar, aonde absolutamente todo mundo concorda que o governo em Brasília é absolutamente corrupto, ineficiente, em nenhuma medida preocupado, ou até mesmo capaz de fazer o melhor pela população.

Qual resposta a esquerda sempre dá a esse problema? Precisamos dar mais poder a políticos em Brasília, nossa pauta tem que ser por novos direitos, regulações, leis, estatais. Admitimos o estado extremamente disfuncional que existe hoje, mas lutamos pelo poder do mesmo governo. Queremos que ele possa interferir na vida das pessoas, e dar ordens aos outros por meio da força.

A coisa toda é uma loucura. A incapacidade de renovação, e superação do estado como solução para tudo, é reflexo de uma contradição inerente a esquerda moderna. Seus fins são louváveis, melhores condições de vida para as massas, liberdade, fim das desigualdades, pobreza, fim de descriminações, e diversas injustiças.

 No entanto os meios de atuação do estado, violência, e utilização de coerção são completamente incompatíveis com esses fins. Assim terminamos com uma esquerda que luta principalmente pela manutenção da pobreza, diminuição de liberdades, e por diversos privilégios de elites. Então basicamente a esquerda ao não querer mudar, deseja se manter lutando pelo fracassado projeto socialista, que fere principalmente as pessoas que diz proteger.


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Análises semanais, e a tentação interminável de perder tempo


BOM, talvez minha introdução contenha algo difícil de acreditar, mas este não vai ser um daqueles vídeos de drama, refutações épicas, ou ataque as figuras da Gabi Xavier, ou ao Vídeo Quest. Na verdade nada diretamente voltado as pessoas ou muito do conteúdo deles será discutido, com a exceção do que é diretamente relevante a essa análise. Minha proposta se volta a criticar a mentalidade, e pratica de críticas semanais de episódios de anime, ou capítulos de manga. Este sendo um dos conteúdos primordiais dos dois canais. As limitações de escrever, e publicar reviews semanais para mim estão sempre presentes, e terminam por prejudicar a qualidade do produto final.

Primeiro, eu gostaria de ressaltar como a própria pratica de separar o objeto da crítica em únicos episódios, ou capítulos é extremamente arbitraria. Compare como um filme funciona em termos de unidade, enquanto um episódio de anime, ou capitulo de manga, não. Filmes são vendidos para contar histórias com começo, meio e fim, os quais são relativamente independentes de possíveis ligações, conexões, ou continuações. Tais são vendidos, criados e comercializados individualmente, não havendo muitas vezes nem ideia da possibilidade de uma sequência no momento de lançamento. Ademais se uma vier a existir, esta normalmente será publicada num espaço de 2 anos, ou mais do original. Logo filme é usualmente pensado como conjunto narrativo, e entidade separada, tanto no processo de criação, quanto na experiência e atitude da audiência em relação a obra.

Traduzindo a lógica para animes, e mangas, é bem obvio que o equivalente seria a série, ou conjunto de publicações de um manga como um todo. Episódios, salvo algumas exceções, não são primordialmente pensados como todos narrativos completos, contando histórias, ou arcos de personagem. Além disso sua estrutura, e eventos dependem principalmente de sua colocação e importância no contexto da historia. Séries, e mangas não são escritos ou feitos, se baseando na estrutura narrativa, ou duração de um único episódio. Se você considerar exemplos de animes adaptados de outras mídias, muitas vezes a divisão, momento de início e fim entre episódios, é completamente errática. Logo nem faz sentido buscar uma coerência ou razão por trás da separação.

A existência de blocos e separação de episódios apenas encontra sua razão em termos de como animes realizam propaganda, e são veiculados na Televisão. A cada obra é atribuída uma duração e horário especifico na Televisão, ou um espaço em uma revista semanal, ou mensal de publicação no caso de mangas (Não estou dizendo que sei exatamente detalhes, e estou gloriosamente simplificando a situação). No entanto esta não é a forma principal pelas quais animes são comercializados, uma vez que estes são vendidos em blocos contendo temporadas inteiras, nem a que são vistos, pois usualmente o conteúdo é maratonado como um todo por sua audiência.

Assim, não havendo um próprio senso de estrutura, ou razão na divisão, não consigo abstrair o raciocínio aonde episódios seriam vistos idealmente em termos de unidade. Tudo isso levanta a pergunta, porque tantas pessoas analisam e criticam episódios separadamente? Sério, eu realmente gostaria que alguém realizasse o argumento para essa prática, porque eu nunca achei apropriadamente um. Em como essa divisão primordialmente comercial, e de marketing, realmente deve ditar o objeto e muito do conteúdo de uma análise.

Obviamente a verdadeira resposta para isso se encontra na própria natureza do youtube, e das plataformas digitais, não na pratica da crítica ou criação de conteúdo. Sim o Youtube demanda que você crie vídeos num ritmo absurdamente rápido para crescer um canal, preferencialmente mais que 2 por semana. E não, não considero que haja nada desonesto nessa pratica, ela é quase uma necessidade, se você como criador, tem qualquer ambição financeira com a plataforma.  Mesmo assim, nesse espaço vou entrar em diversos problemas que youtubers caem ao se utilizar desse modelo, e suas inerentes limitações.

Como um caso de exemplo, vou ter que trazer a Gabi Xavier, pois ela ocupa uma posição especial como prolifica produtora de vídeos, especificamente desse tipo. Em seu conteúdo semanal, Gabi sempre cai naquela que considero a pior pratica em análises no geral, que é a de simplesmente descrever, e partir apenas para detalhar o que acontece num dado episódio.  Ao mesmo tempo agrega ou utiliza tais descrições para pouquíssimo em termos de crítica, ou para construir uma opinião sobre o material em si.

Note que não estou retirando o lugar particularmente importante que critica descritiva ocupa em qualquer análise. Ela pode ser um método importante para conseguir dar uma noção de diversos aspectos, por exemplo, o tom, a emoção, os detalhes. Muitas vezes a pratica de analisar se resume a encontrar os perfeitos eventos, que encapsulam perfeitamente a ideia que você quer passar.
No entanto, a diferença entre isso e um vídeo aonde metade do tempo simplesmente se relata o que acontece em um dado episódio, é óbvia. As descrições nesse tipo de vídeo não são adicionadas para examinar algo, exemplificar um ponto, ou criar alguma opinião sobre a obra. Ao invés disso tais se tornam a maior parte do efetivo conteúdo. Durante boa parte do tempo não consigo nem perceber o proposito por trás de muito desse detalhamento de eventos, eles não são acompanhados, nem de um julgamento de valor raso de certos méritos, um como isso foi legal, ou nossa, isso eu curti. Em relação a série de vídeos que estou me referindo, os da segunda temporada de One Punch Man, eu não estou exagerando, estes passam como quase um resumo, ou sinopse estupidamente longa, que você poderia encontrar na Wiki.

Sendo sincero, algo que eu adoraria entender é a filosofia ou razão por trás dessas descrições, para poder apropriadamente julgar o resultado buscado. Reviews usuais são comumente voltados a consumidores que não viram o anime, e querem ter uma melhor noção sobre se a obra é para eles. Nesse contexto pelo menos faz sentido um maior caráter descritivo, para a audiência pegar uma melhor ideia sobre o básico do material. Contudo analises de episódios são voltadas primordialmente (eu imagino), a pessoas que já assistiram o anime, sabem o que ocorre nele e querem saber exatamente a opinião e experiência do criador sobre os eventos. Ou seja, eu apenas enxergo, nesses longos relatos, e foco em transcrição da história, um desperdício de tempo para todo mundo assistindo.
O resultado é duplicar a duração de algo que poderia ser um vídeo curto, simples e direto ao ponto, assim como capaz de transmitir perfeitamente a opinião da autora. Com essa pratica, a análise, emissão de opinião, e reflexão sobre o apresentado se tornam quase secundarias, sendo desprezíveis quaisquer ganhos. Tal fenômeno para mim demonstra clara falta do que dizer, ou de constantemente ter algo relevante para falar, uma consequência direta de quando o objeto de análise é curto e incompleto.

Nesse ponto, eu irei contrastar a figura e práticas da Gabi Xavier, com as do Leonardo Kitsune do canal Vídeo Quest, este servindo como expansão do meu ponto. Kitsune evita de forma completa o relatado problema. Apesar de qualquer opinião que você possa ter sobre os argumentos dele (eu com certeza tenho uma), é claro que os meros eventos não são o tópico da discussão. Ao invés disso, o autor utiliza estes principalmente para exemplificar, demonstrar, e reforçar os pontos, mensagens e opiniões que quer passar.  Assim executando uma coerente, focada, e normalmente bem embasada, transmissão de sua opinião e reflexão sobre um episódio de um dado anime.
A partir de tal descrição seria simples pensar que o fato de realizar análises semanais, não está prejudicando o processo criativo e vídeos do Kitsune. Algo que eu realmente discordo, e pretendo demonstrar porquê.

O primeiro problema é obvio, ao analisar um episódio de um anime durante sua duração, tal pratica te impede de falar, ou ter o conhecimento do contexto geral da obra. Logo muito do que você expor em termos de personagens, narrativa, ou questões vai estar unicamente se referindo a uma única parte da série. Isso não parece tão importante isoladamente, mas pode levar a severas distorções.
Um exemplo claro, é como o Kitsune critica o episódio 4 de Promised Neverland, por ser basicamente um episódio de exposição e preparação para futuros eventos. Tal analise pode ser válida como uma crítica do episódio em si, no entanto falha em contemporizar e observar sua função e proposito dentro do trabalho.

Promised Neverland é um thriller, impulsionado principalmente pela tensão, e atividade de ver lentamente os esquemas e estratégias dos personagens desenrolando, e se desenvolvendo. Expectativa, o mistério, e suspense quanto a muitos dos elementos, e informações introduzidas, consistem dos pontos principais da série, os quais terminam por definir seu apelo, e qualidade. Logo ao simplesmente avaliar o episódio como um todo, o crítico tem que abstrair sua importância em relação a futuros eventos, assim como a eficácia do que acaba estabelecendo no contexto do anime. Pois pela mera natureza de como está publicando, ele está se furtando o conhecimento e capacidade de compreender a situação e todo no qual a exposição e introdução de elementos se colocam. (Ele ter dito que leu o manga não muda nada nesse ponto)

Meu argumento é simples, mesmo que se considere a usual defesa a reviews de episódios, que tais servem para comentar momentos, e eventos específicos, o que o crítico acaba fazendo, paradoxalmente torna a análise de únicas cenas e elementos localizados bem piores. Pois a atitude dificulta sobremaneira a pessoa de obter o melhor conhecimento, e capacidade de avaliar e opinar. Assim impedindo a ideal situação para localizar e contextualizar momentos em um todo. Por essa razão sempre me opus a pratica de análises semanais.
Outra questão bem óbvia, pela natureza do lançamento, é como a maioria do conteúdo acaba sendo especulativo. Eu digo isso não só no sentido de se falar de arcos de personagens, narrativos e elementos, muitas vezes com base numa suposição de onde tais estão indo e quais vão ser os resultados.  Muitas vezes a coisa vira literal, um se perguntar o que vai acontecer com esse personagem, qual será a revelação, e elementos a vir no próximo episódio.

Note que eu não sou um fã desse trabalho de realizar teorias, meramente ficar se perguntando o que irá acontecer a seguir num trabalho de ficção. No entanto, para mim é bem clara a diferença entre uma pessoa se perguntando por 2 anos, após Star Wars 7, quem são os pais da Rey, e o Kitsune se perguntando sobre se o Mista, ou Abbaccio, finalmente morreram de verdade após um episódio de Jojo. O primeiro é resultado da própria natureza de como tais filmes foram criados, que tiveram como um de seus aspectos principais o mistério de quem diabos seriam os pais da Rey. Assim o espaço para questionamento e interpretação são intencionais, parte integral dos filmes e de como devem ser avaliados. Isso não poderia ser mais diferente da atitude do Kitsune fazendo o mesmo quanto a Jojo parte 5.  No espaço de um episódio, e semana, teremos as respostas, e provavelmente descobriremos que as suposições são baseadas em nada. Mas independentemente de quão correta uma pessoa possa estar, quando imaginando o que pode ocorrer a seguir no anime, tais teorias não importam.  Pois os eventos e circunstancias as quais se referem não são escritas como mistério, ou algo a se especular sobre, e suas revelações não são de nenhuma forma um twist. A natureza e caráter de levantar dúvidas, e pensar sobre o que realmente aconteceu, ou vai acontecer unicamente existe por causa da publicação e analise da obra semanalmente, e não tem nada haver com como o trabalho é escrito, ou apresentado. Mal existe algo a se ganhar ou aprender com esses pontos, dado 1 semana quando do lançamento do próximo episódio.

O melhor e mais severo problema de realizar analises semanais é algo que deixei por último. Este, eu diria que é indiscutível para qualquer pessoa que já escreveu sobre anime regularmente. É estupidamente difícil, achar algo novo e particularmente interessante para dizer sobre um anime, every fucking week.  Um pequeno exercício mental ajuda a ilustrar meu ponto. Considerem a quinta temporada de Jojo, esta tem 37 episódios, e na maioria das semanas que o anime saiu, Kitsune fez uma publicação. Agora atribuam a cada vídeo, 10 minutos em média, dele falando unicamente sobre Jojo parte 5. Ao se levar essa lógica a suas últimas consequências, o Kitsune produziu 370 minutos de conteúdo sobre o anime durante diversas semanas, ou seja, aproximadamente um pouco mais que 6 horas, sobre JOJO.

Assim, você considera que o resultado da análise, os pontos, argumentos e opiniões produzidas justificam, e fazem valer a pena 6 horas de conteúdo corrido? Eu sinceramente acho que não, e o fato de todas as tentativas nesse estilo, produzirem vídeos de durações muito maiores que as necessárias para falar sobre um anime, demonstra uma impossibilidade no próprio conceito de reviews semanais.
As saídas para o problema de muito tempo, mas muito pouco para comentar são bem claras quando se maratona os vídeos. Observe que tais frequentemente voltam aos mesmos pontos, analisando logica (ou falta de) nas lutas, ou as habilidades de Stands. O ponto de os personagens serem o maior problema da parte 5 é constantemente reiterado, e pior, as conclusões as quais o Kitsune chega são usualmente as mesmas. Ou seja, caindo numa interminável repetição, volta as mesmas ideias, e comentários sobre a obra, espalhados em incrivelmente longo e frustrante conteúdo.

Talvez seja uma questão pessoal, mas eu considero evidente quando uma pessoa já elaborou todos os seus pontos, aplicou sua lógica, julgamento, opiniões, e chegou a completas conclusões sobre o material. Normalmente se esperaria que uma, ou duas horas seriam o bastante, para se elaborar tudo o que você conhece, acha legal, interessante, e merecedor de compartilhamento sobre um dado trabalho.

No entanto esse esquema te força a continuar a produzir, fazer um novo vídeo, falar as mesmas coisas, focar em trivialidades, ou coisas evidentes. Eu tenho que dizer, ISSO É UMA LOUCURA. A necessidade por conteúdo semanal, o qual deve ser rapidamente produzido, gravado, editado, e publicado pouco depois do episódio em si. É claro que isso mata qualidade.

Não sei, talvez minha discordância e critica venham principalmente de uma diferença ideológica. Eu considero o trabalho do crítico particularmente a integração de elementos dispares de uma obra. É claro que você está olhando e avaliando coisas muito diferentes, animação, personagens, música e narrativa. No entanto é como cada um desses elementos se integram a um todo, formam uma unidade e teor coesivo, isso é o que mais importa. A atividade do crítico é exatamente procurar esse todo, tais valores, qualidades e defeitos, para poder transmiti-los a uma audiência.  Por isso minha oposição é quase uma questão de princípios.

Mas ainda assim considero que há mais por trás da minha exposição. O trabalho de assistir reviews semanais, não como elas foram inicialmente pensadas, mas sim ver sem parar horas de conteúdo, isso é o exercício mais esclarecedor quanto aos possíveis problemas. Sério, eu convidaria cada um de vocês a tentar a atividade, e formar sua opinião sobre se tal é a forma mais concisa de apresentação de ideias, ou se constantemente compensa assistir novos vídeos. Os quais com certeza sempre apresentam pontos novos, e são um espaço para frutíferas discussões.

Concluindo, queria deixar claro que não escrevi isso com intenção de ataque, ou roast a algum dos citados.  É inegável que eles poderiam estar criando melhor conteúdo. EU também poderia estar fazendo algo melhor, trabalhando nisso, nesse exato momento. Minha intenção parte mais de mostrar, que são as próprias propostas, métodos de publicação, e dialogo em relação as análises, os quais não os permitem criar vídeos nas condições ideias, ou realmente realizar o melhor.

Creio extremamente na capacidade de auto aprimoramento e melhora de cada indivíduo. E tudo que eu espero que você possa tirar desse ensaio é: uma perspectiva nova em relação a como reviews semanais são percebidas e entendidas por uma parcela da audiência, ou alguma dica ou ideia útil que pode levar a produção de um vídeo melhor.

Enfim, como vocês devem saber não tenho nenhum poder sobre o tipo de vídeo que vai ser primordialmente produzido pelas pessoas. No entanto REALMENTE creio que uma melhora no desastroso estado do anitube brasileiro (se é que tal existe), passa por uma maior discussão debates sobre o que estamos E queremos criar, assim como dos resultados alcançados.








segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Bacurau review


Bacurau é o recém lançado filme dos diretores Kleber Mendonça, e Juliano Dorneles. A obra alcançou grande relevância e apelo tanto entre os críticos quanto no público em geral. Minha opinião sobre o filme cairá num campo mais negativo, pois apesar de sua elogiável ambição, e alguns bons momentos, o filme nunca se encaixa como um todo de forma satisfatória.
Minha analise começa avaliando as bases temáticas, subtexto e significado por trás de sua ideia principal e conflito. Um choque de cultura entre um grupo de europeus e norte-americanos, contra os habitantes da própria Bacurau. Esta questão é simbolicamente representada no confronto entre modernidade, contra tradições.

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(Acharam que eu ia importar pra história?)

A caracterização dos antagonistas norte-americanos é menos importante em relação aos personagens em si (que são péssimos), e mais quanto a algumas de suas características especificas. Eles são estrangeiros, pessoas sem qualquer conexão para com Bacurau, e não dão a menor importância as pessoas que habitam nesse local, os utilizando para mera diversão. Eles são uma clara ameaça ao modo de vida e situação da população, contendo diversas armas de alta tecnologia, drones, satélites, as mais modernas metralhadoras e equipamentos. A confiança e sentimento de invencibilidade dessas pessoas, não parece errôneo no começo.

A resposta dessa pequena população de uma aldeia isolada do sertão nordestino a essa ameaça é bem emblemática. O filme mostra esse povo utilizando a habilidade e conhecimentos que contem, em face dos invasores. Certas escolhas como uma emboscada no museu da cidade, a utilização de carabinas, e armas dos cangaceiros para acabar com os estrangeiros não são coincidência. Esta é uma história sobre um povo orgulhoso de suas tradições e origens, utilizando seu conhecimento e passado únicos, para derrotar um grupo externo que se acha invulnerável. A resistência alcança estrondoso sucesso, os americanos de caçadores se tornam os caçados, e acabam massacrados no clímax do filme.

Vendo os eventos seria simples dizer que a obra se consiste de uma mera negação da modernidade e possibilidade de mudança, fato que não pode ser mais longe da realidade. Os habitantes de Bacurau são tão modernos quanto desejam ser. Eles tem eletricidade, acesso a televisão telefones e celulares. Usam até a internet nas aulas, e realizam uma stream no youtube em um momento do filme.

A inovação que o filme argumenta contra é de outra natureza. Se encontra presente na atitude do prefeito, tentando comprar apoio com drogas e medicamentos que apenas fariam mal a população, ou trazendo comida industrializada vencida. Também aparece no convencimento dos estrangeiros, que se acham invencíveis por terem equipamentos modernos e armas. O novo forçado de cima para baixo, sem observar os desejos e vontades da população. Esta é a grande questão que o filme busca advogar contra.

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(Eu ainda não entendo o porque das sementes)

Um assunto diretamente relacionado é a utilização transformativa de gênero, por parte do filme. Uma pradaria com dominância do sol, um enorme sertão árido até aonde a vista alcança. Bandidos, grandes conflitos armados, a ausência de qualquer figura e elemento de autoridade por centenas de quilômetros.  Uma pequena comunidade isolada, aonde o tempo nunca parece passar. Bacurau contem muito dos elementos simbólicos, o visual e estética de um Western. Em alguns instantes dá para quase se enganar, em imaginar xerifes e bandidos trocando tiros em diversos lugares em que se passa essa história.

No entanto este não é um cenário do velho oeste no século passado. O empréstimo de uma camada fina de gênero cinematográfico é bem proposital. Da mesma forma que a comunidade de Bacurau quer afirmar sua identidade, contra uma força exterior que a nega, o filme nega a classificação e modelo de um gênero estrangeiro, o qual forçosamente tenta se encaixar nele. Bacurau é um local completamente diferente, com suas poderosas matronas, bandidos que são na verdade protetores da cidade, preparados para ajudar na hora de perigo. Vive de uma cultura e heranças próprias da época dos cangaceiros, e do primitivo dos povos indígenas. A forma como a aldeia vem a se tornar uma entidade com características, cultura, e vida próprias, muitas vezes contrarias a expectativas que a audiência tem, é o melhor elemento do filme.

Mesmo entendendo a tese de Bacurau, os métodos de abordar o assunto são desastrosos. A simbólica representação da globalização agressiva consiste de sadistas genéricos que começam a rir matando pessoas. Me perdoe a fraqueza, mas os antagonistas desses filmes são horríveis, assim como muitas das cenas os envolvendo. Eles nos presenteiam com grandes discursos sobre porque brasileiros são racialmente inferiores, e não brancos de verdade, assim como cenas de personagens começando a transar depois de matar alguém.
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(Chegou o live action de Tokyo Ghoul)

A crueldade que o filme busca retratar os utilizando nunca funciona. Os vilões são apenas estereótipos de sadismo, rindo e se divertindo maniacamente em meio a morte e destruição. Apesar de alguns tentativas de dar justificações, ou diferentes visões por trás da violência para cada personagem, tais mal registram ou são elaboradas.

O filme comete o maior crime ao tentar retratar atos absurdamente abomináveis cometidos por humanos, o faz por meio de estereótipos sem nenhuma personalidade por trás. Não existe um senso de escuridão ou pavor ao observar tais coisas, pela falta de uma humanidade compartilhada pelos praticantes. Os eventos não se registram em nenhum nível além do desagradável, retratando a escuridão e ódio da raça humana, enquanto ao mesmo tempo se nega a tentar compreende-la.

Não é apenas por causa dos antagonistas, que a dinâmica do conflito central acaba completamente vazia. Ok ele inverte os usuais papeis, agora o suposto tecnologicamente desenvolvido invasor, está sendo aniquilado pelas populações primitivas que despreza. Existe algum proposito por trás dessa inversão?

Na verdade o filme simplesmente reproduz a mesma relação de aniquilação, submissão e poder apenas a retratando com polo invertido. Os forasteiros de Bacurau não são indivíduos para se dialogar ou tentar construir uma relação. Tais são bestas que precisam morrer pela segurança e vida do grupo e civilização existente da região.

Um paralelo histórico é irresistível com Cortez, chegando a América, e a conclusão que os astecas e povos nativos tinham que morrer. O grande futuro e segurança de seu próprio povo estava em jogo. Será que não podemos ter outra relação do que morrer ou matar quanto ao diferente, e pessoas cujos costumes estão além da nossa compreensão? Seriam racistas, sádicos que se divertem matando crianças a melhor retratação de neocolonialismo, e o processo de destruição de tradições e culturas? Não acho que as conclusões e paralelos que estou fazendo são exatamente a intenção. No entanto não consigo considerar o filme uma particularmente instrutiva apresentação de suas ideias.

Meu ponto não se consiste de uma reclamação apenas do caráter primordialmente alegórico da narrativa. Mas sim sobre sua natureza extremamente simplificada, com proposito de criar um ponto não particularmente original ou interessante sobre o assunto.

Mudando completamente de assunto, o método utilizado para contar e estruturar a narrativa em Bacurau simplesmente não funciona. De certa forma o filme consiste de 2 historias com tons praticamente diferentes. Temos o início baseado na mundana recontagem do dia a dia dos habitantes de Bacurau, buscando ressonância emocional de eventos. Já a segunda parte consiste basicamente de uma história de fantasia, focando no absurdo, numa tentativa de deslocar audiência da zona de conforto com a estranheza do ocorrido.

A tentativa de juntar dois estilos tão distintos, e quase contraditórios é diferente e interessante o bastante. No entanto a mudança nunca se torna particularmente significativa. O filme pula arbitrariamente de um estilo para um completamente diferente sem muita razão ou sentido por trás. As duas partes em pouco complementam e informam uma a outra. Apesar das melhores intenções nunca parece emergir um todo coerente.

Um bom método de demonstrar tal situação é contrastar o que o filme parece ser no começo, com o que ele acaba se tornando. Nossa introdução a personagens e mundo nunca pode ser aleatória, esta abre enormes precedentes e expectativas quanto a como o filme vai se desenrolar. No início a situação parece bem clara, estamos acompanhando primordialmente a doutora da vila, matriarca extremamente importante na região, e a neta de uma recém falecida, a qual é nosso ponto de vista no começo.

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(A paz do sono marcou minha experiência)

A partir disso o mínimo para se esperar seria que tais pessoas fossem importantes, existisse razão ou critério em enfatizar sua presença no início. Esperamos arcos de personagens, que elas impactem conflito e sua natureza, tomem decisões que vão realmente moldar a narrativa. Uma pena que tão logo nossos homicidas genéricos são introduzidos, é impossível ter ideia de onde o filme está indo.

Não estou dizendo apenas que o filme não segue estritamente o esperado, a questão é maior que essa. O que está sendo ignorado é a própria natureza de set ups e pay offs, arcos dramáticos e progressão de conflito e narrativa. Na medida que a luta passa a afetar a própria cidade, passamos a seguir dúzias de personagens. A cada momento existe alguém agindo, movendo a história, tomando atitudes que o filme mal se importa em estabelecer. As supostas principais que mencionei acabam como semirrelevantes, pois não cumprem qualquer papel, ou importância no conflito.

Bacurau é um desastre para se seguir pela confusão em relação a personagens, com dúzias de motivações dessas pessoas, assim como de pontos narrativos sendo jogados a cada momento. A incoerência está exatamente porque nunca podemos perceber uma linha logica ou progressão, muito menos exatamente para o que o filme está construindo. Melhor ainda perdemos tempo analisando personagens irrelevantes, histórias que são mal mencionados e não levam a lugar nenhum.

A coisa todo acaba como um espetáculo de violência, aonde é difícil realmente saber o que está acontecendo, ou qual deveria ser o sentimento e impacto de cada cena. O final não foi o cumulo de uma narrativa plenamente estabelecida, que respondeu cada um dos pontos que levantou. Na verdade se consiste de algo mais próximo ao filme decidindo parar em um ponto aleatório, porque o antagonista morreu, e não há ninguém para se matar mais. A única coisa que senti ao chegar nesse ponto foram dúvidas sobre se era só isso.

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(Doutora Domingas protagonizou algumas das melhores partes do filme)

Longe de mim ser contra uma maior valorização do cinema nacional, muito menos contrário a retratação de populações cujo estilo de vida quase nunca aparece na mídia tradicional. Considero ambos objetivos admiráveis que tem meu total apoio. Bacurau apesar de representar uma cidade com personagens potencialmente interessantes, e pessoas com cultura única, não tem uma história e conflito capaz de capitalizar em nada disso. Por isso minha enorme decepção quanto ao resultado.

O verdadeiro ponto é: o que falta ao cinema brasileiro são mais filmes da Marvel mesmo.


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Dr. Stone recomendação

(Aonde eu falo sobre algo não tendo ideia de qual meu ponto, e justifico uma conexão aleatoria que me veio a mente)

O maior apelo e emoção em Dr. Stone muitas vezes aparenta ser a aventura, descobrimento de um mundo novo desenvolvido na obra. A primeira vista existe uma contradição inerente em tal visão, na medida que não estamos falando de um mundo de fantasia, nos introduzindo a fadas, gigantes, situações que apenas podem ser criadas na imaginação. Esta é supostamente nossa realidade, abstraída de qualquer elemento sobrenatural, apenas milhares de anos no futuro, e tudo que será mostrado, o anime garante ter uma explicação cientifica plausível.

Tal contradição é unicamente aparente. Ao se permitir abstrair nossas condições atuais, percebemos que muitas vezes a separação do real e fantástico unicamente reside na opinião e experiência da audiência. Um dia de trabalho numa fazenda na maioria do mundo, pareceria mais alien e diferente do que o conteúdo de centenas de novels de sci-fi podem mostrar. De certa o mundo brutalizado, e mostrado em sua natureza pura de Dr. Stone é um poço de mistério e interrogações, que mal consigo imaginar e entender como funciona. Logo há muito para se descobrir no anime.

Nesse ponto existe a mágica, e apelo da obra. Muito da ficção busca esse sentimento de estranheza, o pensar nessa situação diferente, difícil de imaginar, desconfortável, excitante, pensando em intricados mundos, realidades que pouco tem a ver com a nossa.  Dr. Stone nos surpreende ao captar que na verdade tais circunstancias estão em nossos próprios quintais, no mundano.  O realizando por meio de representação de uma ciência e conhecimento que de forma quase imperceptível faz parte de nossa realidade, mas sempre parece mais extraordinária e fascinante que que qualquer coisa real. A cena de Senku acendendo a primeira lâmpada, finalmente possibilitando a luz para iluminar a vida dessa aldeia a noite, é um dos momentos de pura ciência indescritíveis na série.

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(Esse foi o momento em que me dei conta, Dr. Stone é realmente bom)

Um dos aspectos interessantes, que a obra utiliza para garantir que isso seja o foco, é retirando a importância de conflitos interpessoais. A exceção de Tsukasa, que é basicamente a premissa, o bug bad guy nas sombras movendo a história, quase toda questão social tem soluções estupidamente simples. Magma e a resistência dos aldeões na vila são quase uma piada, suas resoluções sendo tratadas como um afterthough.

O verdadeiro antagonista está na origem dos obstáculos e dificuldades encontrados pelos personagens, a própria natureza. O foco sempre está na obtenção de técnicas, equipamentos, conhecimento e capacidades para vencer a barreira que esse mundo natural apresenta.  E claro, sua opinião como tais podem ser superados, está na união das pessoas. Conjugar de esforços, raciocínios, trabalhos e competências para restabelecer o lugar que a humanidade uma vez perdeu. Realizando tal conceito, na demonstração dos personagens como uma grande família, amigos que estão dispostos a tudo um pelo outro.

Agora meu ponto principal é que vejo muito de Star Trek em meu retrato de Dr.stone. De certa forma, a visão do futuro da humanidade finalmente se unindo e superando suas diferenças, com o objetivo de superar a fronteira final do espaço, tem muitas semelhanças, assim como a ausência de muitos conflitos internos. Ambos também brincam com pressuposições e características fixas de gênero. Star Trek é uma obra de fantasia, com estética de sci-fi, mas com ciência impossível de diferenciar da mágica, e história sobre descobrir novos mundos. Dr. Stone traduzindo o mesmo, numa realidade que deveria ser nosso mundo.

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(I love this passing of the torch, and shared friends shit)

E já que não pensei num final ou conclusão, deixo aqui minha recomendação para Dr. stone, definitivamente uns dos melhores animes de sua temporada e do ano.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Joker: a dificuldade em explorar ideias por meio de ficção.


(Por favor não me odeiem por falar mal do filme)

O polêmico filme, Joker, finalmente teve sua estreia (na qual algumas pessoas realmente esperavam a ocorrência de tiroteios), e me deixou com uma certa ideia que queria desenvolver.  A obra consiste de uma grande reimaginação do personagem, não encontramos o mesmo Coringa arqui inimigo do Batman, gênio do crime, que tem milhares de seguidores a sua disposição, e sempre um novo plano para destruir a cidade. Muito pelo contrário, essa é a história de origem que acompanha um fracassado, sem amigos, amantes, dinheiro ou qualquer poder. Ou seja grandiloquência substituída pela mais intima e mundana visão desse miserável solitário, e da sociedade que o quebrou.


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(did you miss me?)


Para começar mais com o assunto da discussão, eu carrego uma grande certeza que obras de ficção intrinsicamente contem temas. Amor, ódio, pobreza, guerra, desigualdade, não importa o gênero em que se passa a narrativa, a obra inevitavelmente vai refletir alguma grande ideia ou questão da existência humana. Não é exatamente relevante a intenção do autor, saber se ele tinha necessariamente uma mensagem especifica em mente, a mera escolha de eventos, e como tais serão demonstrados, já claramente reflete um conceito. Característica a qual eu considero ideal, uma grande obra de ficção é precisamente aquela que nos faz pensar. Realiza isso, principalmente por meio da apresentação de uma nova visão de mundo, trazendo a perspectiva, questionamento, desafiador quanto a nossa realidade. Nesse aspecto, a temática de Joker, se encontra meu problema.


A mensagem central em Joker é claramente um fator presente, muitos de seus elementos voltam para uma particular noção. Esta é uma história sobre os excluídos da sociedade, nunca notados, nem ouvidos em seus problemas. Se passa numa opressiva cidade socialmente em ruinas (literalmente lotada de lixo, por uma greve de garis), aonde a realidade consiste de viver sobre o arbítrio do mais forte. Terror mora nas ruas com uma violência crescente, elites corrompidas ocupam o governo, sendo a ultima coisa na mente delas, a empatia com os trabalhadores. Na maior parte do tempo, políticos estão contribuindo e lucrando com a desgraça da cidade. Sua tese se apresenta no grande discurso ao final, aonde nosso protagonista relata a cidade enlouquecedora lá fora, que unicamente pode levar um homem a pirar. Não existe razão ou mérito em se importar com os outros, ou realmente a mera possibilidade de agir como bom cidadão. Todos estão cercados por uma realidade que não entendem, a qual nem liga para sua dor. De certa forma a resposta a situação é a piada, em abraçar destruição, realizar atos de indescritível violência aleatória quanto ao mundo em volta. Talvez os inúteis feitos amortizem a dor, tenham proposito, mas seus resultados e consequências são completamente irrelevantes.


Sinceramente, quanto ao fato de Joker escolher retratar dessa forma especifica a sociedade, como inferno existencial de desconhecimento, e aniquilação niilista sem propósito, não consigo achar qualquer objeção. Não existem certos ou errados quando a ideia de mundo que sua obra advoga. No entanto, o método de exploração de tal conceito deixa muito a desejar.


Primeiro, meramente reproduzir um tópico não significa exatamente desenvolve-lo. Esta é uma fraqueza presente em muito da ficção dita “adulta”. Delimitando a questão, eventos nessas obras referenciam ideias de racismo, descriminação, pobreza, opressão, amor. Mas na mesma medida que os trabalhos escolhem precisamente circunstancias as quais podem relacionar a questões universais, estas não estão dizendo, elaborando nada sobre o assunto. Um exemplo permite entender melhor o que quero dizer. Joker com seu método de contar a narrativa, e ambíguo final, apresenta claramente um questionamento sobre real x imaginário. Seria toda nossa narrativa uma ilusão particularmente elaborada do protagonista, nos convidando a duvidar dos eventos do filme, e da possibilidade de separar a realidade da imaginação. Da mesma forma que o tópico está ali, ele deliberadamente não está sendo trabalhado em cima. Não ganhamos uma nova apreciação ou muito que pensar, na busca dessa interpretação, como uma não convencional narrativa, aonde é possível duvidar de qualquer evento. Claro com certeza a ideia está presente, mas quase que desaparece no Background, se torna irrelevante por quão pouco acaba importando.


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(Ok, eu realmente adoro vários dos memes que saíram daqui)


Própria reprodução é uma forma extremamente insatisfatória de abordar temas em ficção. Tal parte de um pressuposto de um certo naturalismo, o qual consiste de simplesmente reproduzir, imitar características do real, supostamente mostrar eventos como o são, não os conectando diretamente a mensagens, ou exploração de tópico. Se trata de uma tentativa de normalizar temas, não comentando diretamente sobre eles, pois o autor está simplesmente retratando eventos, como “realmente são”, tirando o foco que existe um assunto por trás. Quando para mim a própria tentativa de normalização da temática, de agir como se estivesse meramente integrada a eventos neutralmente detalhados perde o ponto de criação ficcional. Tudo num trabalho é completamente arbitrário, não tem qualquer logica ou razão de ser, além de um ato de vontade do criador, que escolheu que fosse assim. Por isso considero que o autor deveria tomar vantagem desse fato, realizando e criando sua historia de forma não neutra, mas escolhendo especificamente o que vai favorecer sua mensagem e ideias.


Uma alternativa superior a reprodução, que realmente confronta, apresenta visões e opiniões, sobre o tópico que o autor está enfrentando é a realização disto por meio de propaganda. Joker é exemplo claro disso, quanto a suas demais discussões. O filme não consegue meramente apresentar um questionamento sobre a validade de existência, possibilidade de felicidade, ou alegria nesse mundo. Permitir ao próprio público chegar em suas próprias conclusões, e determinações sobre os assunto. Não, desde o começo o filme nunca para de gritar aos 4 ventos como tudo apresentado é a mais absoluta verdade, dando incontáveis exemplos. Parece uma dedicação pessoal que cada personagem toma, em tornar a vida do protagonista um inferno, crianças arbitrariamente o agridem por uma placa, o chefe e colegas no serviço farão de tudo para mostrar que o desprezam, caras aleatórios no metro partiram pra bater nele sem razão alguma. O mundo se consiste apenas de caricaturas de crueldade e más intenções prestes a cruzar o caminho de um homem e arruína-lo.


Arthur Fleck é a oposição, e contraponto temático, a tendência que tentei detalhar acima, do mundo numa batalha de morte para mostrar quão horrível pode ser. O filme faz um esforço em demonstrar como (bem no fundo) ele é bem intencionado, apesar de sempre reagir absurdamente. Arthur realmente acredita em sua missão especial, o dever de fazer as pessoas rirem, acharem mais felicidade e alguma consolação no mundo. Tal realização, que na verdade será sempre impossível para ele. Não importa quantas vezes apareça em Talk Shows, assista incontáveis programas de comedia toda noite, quebre a cabeça pensando e elaborando piadas, ele simplesmente não consegue entender. Sozinho e incapaz de formar relacionamentos, as pessoas terminam como um completo mistério, apresentações, esforço e desejo de trazer alegria, não podem romper sua barreira para o outro. Tentar realmente sair de sua percepção, imaginar o que causaria risadas, graça, o que é essa alegria que a audiência sente, é completamente impossível nessas condições.


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(Let's put a smile on this face)


O protagonista em uma aparente luta contra o mundo, seus ideais completamente o contradizendo, é na verdade uma boa formula, e traz ótimas possibilidades de conflito. Infelizmente o contraponto e perspectiva única que Arthur apresenta não funcionam, em decorrência de não estarem baseadas em absolutamente nada. A inspiração do personagem no relacionamento com sua mãe, ela tendo previamente dito que alguém com uma condição assim nasceu para gerar mais felicidade, e risos no mundo, é revelada como mentira cruel. Descobrimos que essa relação familiar é na verdade uma fonte de imensa perversidade, a mãe sendo uma lunática, que inventa ilusões e delírios para o filho, e que já foi presa por permitir que sua criança seja agredida.


Seu sonho de se tornar um grande comediante, como o apresentador de TV, Bill Murray, com o qual o personagem é obcecado, também é destruído virando um enorme pesadelo. Ao finalmente ver seu desejo realizado, em ter o clipe de sua apresentação aparecendo no programa, ela está ali para ser zombada, menosprezada e humilhada pelo apresentador. E tudo isso por uma risada de poucos segundos, pelo prazer em chamar suas tentativas de patéticas. Não há algo baseando a ideologia do protagonista, um sistema de ideais e fatos, que justificam sua mentalidade e dialogam com a mensagem que o filme quer passar. Logo a dialética e interação de sua ideia principal, com Arthur acaba bem mais superficial do que deveria. O que junto de um filme que tem enorme dificuldade em variedade de sentimentos, momentos que não voltam ao mesmo estado de desesperança e perversidade, acabam o prejudicando muito.


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(Eu sinceramente não sei se o personagem está chorando em vários momentos em que aparece rindo)


Existe uma visão de sociedade e mundo claras ocorrendo, a qual está encapsulada no monologo final do principal, este simbolicamente como cumulo de sua evolução. No entanto o filme não parece simplesmente contente em afirmar essa ideia, mas precisa gritar, espernear e ter a existência e realidade dando voltas e piruetas astronômicas para confirmar o quanto está correto no que decide dizer. 


A constante, e inescapável volta para confirmação do mesmo ponto de vista é o problema. Não aparece espaço para dialogo ou apresentação de outra ideologia dentro da obra. O mundo de Joker apesar de querer comentar sobre sua injustiça, não contem uma ideia de justiça, ou como tal seria possível. Tenta criticar a relação obsessiva com violência que os personagens se engajam, e as elites as quais faltaria empatia, capacidade ou desejo de entender as massas. Mas ao mesmo tempo tais estados, elites corruptas, e o povo sedento por violência e destruindo tudo, quase que parecem estar certas, pois são a alternativa possível. Uma única voz e sentimento parece estranhamente dominar o filme, que não conhece nem parece capaz expressar essa empatia, ou algo além da violência, que está argumentando contra. Chega a ser irônico o fato da obra em vários momentos pregar a necessidade de entendimento e empatia.


A dificuldade temática que eu encontro em Joker é a incapacidade de dialogo com um verdadeiro contraponto a sua mensagem. É uma obra tão imersa no aspecto e atitude subversiva, muito contente com sua transgressão política, mas que nunca tenta se perguntar por algo além da visão dominante. O filme não quer apresentar o conflito social de forma multifacetada, dando ideologias e sistemas de crenças para todos os lados. Os ricos são simplesmente vilões irredimíveis, incapazes de se importar, e parecem até sentir prazer em acabar com a classe trabalhadora. Não existe o ponto de vista da pessoa que realmente admira e confia em homens como Thomas Wayne, não dando nem a noção do como alguém assim realmente acaba com tal poder político. De certa forma os lados e aspectos desse conflito sempre voltam ao mesmo ideal maniqueísta, as massas sem rosto assustadas com a deterioração de suas qualidades de vida, e presas numa raiva em face do sistema. Contra os milionários antagonistas unidimensionais no topo, chamando o povo de palhaços, e dizendo que sabem o melhor a se fazer. A elaboração do conflito social consistindo de mera escalada da violência, que retorna ao mesmo fator, os pobres usurpam o nome pejorativo que lhes foi dado e passam a se vestir de palhaços, praticando atos cada vez mais extremos Os poderosos se voltam a aparelhos repressivos, a polícia, na ideia de acabar com o problema sem resolver nenhuma de suas causas.


Não consigo extrapolar da história qualquer meio termo, tentativa de elaborar o conflito e tópico que não volte a mesma moralização e reprovação de certos aspectos da sociedade. Por isso chamo a exploração de propaganda e considero essa forma de engajar com os temas insuficiente. Trabalhos que realizam propaganda não tentam trazer perguntas difíceis, questionamentos sobre assuntos e situações extremamente complexas na sociedade. O autor ao se dispor a um verdadeiro questionamento, expressando inúmeras dúvidas quanto a aspectos do tratamento de doentes mentais, relação obsessiva com violência, e manifestação de conflito de classes, poderia chegar a criação de um trabalho realmente revolucionário. Terminando por escolher ir exatamente na direção contraria, Joker parece mais interessado nas respostas, trazer uma visão simples e clara do conflito, suas causas, manifestações e dinâmicas. Em simplesmente simplificar a realidade, trazendo mais respostas e confirmação, ao não abrir espaço para uma verdadeira discordância e dialogo de ideais no próprio filme, não considero as conclusões alcançadas particularmente significativas.


Por essas e outras razoes o discourse relacionado a Joker me surpreende absurdamente. O filme é tratado como essa dark e revolucionaria tomada em adaptação de HQS. E conquanto eu concorde que em termos de tom e narrativas, o filme deve muito mais a filmes clássicos, como Taxi Driver, do que historias de super-herói, em termos de temática ele não detém diferenças significativas com a maioria do gênero. A própria controvérsia gerada pela obra é intrigante, não vejo exatamente no que discussões sobre responsabilidade social, e incentivo a violência são baseadas. Joker é um filme com não muito a dizer, e o pouco que realmente diz dificilmente é revoltante, e controverso, dessa forma. Talvez se ele dialogasse e explorasse a visão de mundo especialmente ofensiva que muitos enxergam aqui, a obra teria algo mais relevante a dizer quanto a sociedade. Não sendo esse o caso, considero isso mais como algo negativo do que particularmente bom.


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(Sério alguém me explica de onde vem essa controvérsia do filme)


Enfim por favor, note que eu posso estar errado quanto a tudo que disse. Já tive ótimas conversas com inteligentes pessoas que adoraram o filme, e ficaram fascinados com a forma e métodos que ela explora o estado de alguém com psicose, combinado com a reação da sociedade nesse assunto. O esforço e dificuldade em explorar temas é algo presente mesmo na minha própria analise, nunca tenho certeza sobre se minha interpretação é a correta, e se realmente pego a mensagem do filme. A necessidade de abrir para o dialogo, e entender outro ponto de vista é infinitamente complicada, especialmente em uma conversa sem interlocutor direto, como o de olhar uma obra de ficção. E não, não me acho particularmente bom nessa pratica em nenhum momento. Por mais que pareça que estou criticando pesadamente a obra, tal analise não é tanto uma reflexão sobre o filme, quanto sobre a complexidade na interpretação e transmissão de ideias. Assim espero estar apresentando conceitos que ajudem no julgamento e realização desse processo.


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(Joaquim Phoenix realmente merece um Oscar pelo que traz para esse filme)

For Takver

Ancoms não são anarquistas.

  Marxistas e ancoms todos tem a pior ideia possível, de síntese entre a sociedade civil, e o estado. Tais não são estatistas em um sentido ...