sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Porque não sou um comentarista político

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(Clickbait meramente ilustrativo,não tendo nada haver com o assunto)


No trabalho que construo, uma questão difícil de ser evitada é qual é minha posição, corrente política (ou falta de), por isso já gostaria de me adiantar, apresentando uma justificação. No cenário de tresloucados falando de ciência política online, aonde todos viram um expert e se julgam capazes de comentar detalhadamente o assunto, refutando complexas antigas linhas de pensamento com memes, e sem ler nenhum livro dos autores, tal se torna a tarefa importante de um criador de conteúdo.


Um curto background sobre minhas experiências no tópico, talvez ajude a entender de onde estou saindo. Sou alguém que perdeu muito tempo em variados grupos de discord, discutindo, trocando opiniões, ideias e argumentos, em servidores. Entrei nesse exercício enfadonho muitas vezes, tinha tempo, disposição, confiança em meus argumentos, uma obstinação e fixação com o assunto causada pelas eleições brasileiras, e a enxurrada da “analises” e opiniões que ela trouxe. As conclusões que cheguei no processo, foram um dos poucos benefícios da enorme perda de tempo.


O centrismo político está morto (pelo menos na internet). Achar pessoas das mais diversas crenças e ideologias é o mais fácil, existem dezenas de coisas que nem sabia que existiam como posição, temos legitimas pessoas que se dizem nacional socialista (nazis), comunistas, integralistas, ancaps, anarquistas. Mas os representantes e membros do establishment político são raros, ou quase inexistentes. Ninguém estava defendendo as candidaturas Meirelles, ou Alckmin (os mais próximos do centrão), os defensores de Michel Temer, só apareciam na hora em que se dizia que ocorreu golpe. Talvez o único ponto de convergência, que a maioria parece compartilhar é uma insatisfação sistemática, uma desconfiança quanto a como a política, sociedade e cultura estão sendo guiadas e conduzidas, assim como quanto aos homens, usualmente a frente desse processo. As soluções para o problema, consistem de aonde todo mundo entra em confusão, e parecem estar animados para matar especialmente aqueles que discordam. Ancaps desejam o fim do estado, minarquistas sua minimização e neutralização, anarquistas se voltam contra as estruturas de poder e hierarquias, comunistas contra a ideologia e relações materiais, sociais democratas se apegam a uma conciliação do capitalismo com métodos de redistribuição de renda e atuação do estado. Encontre uma sala de bate papo particularmente interessante, e existem resquícios, ideias e argumentos que remontam a qualquer uma dessas opiniões se digladiando.


Talvez a maior conclusão seja a mais óbvia (por isso minha enorme incompetência pessoal), debater política na internet é um enorme desperdício de tempo.  Não existe um debate e troca de ideias rolando, em nenhum momento em que vc se engaja nessa atividade, mas sim estamos trabalhando com exercícios de poder. Todos se sentem como se sua ideologia e visão de mundo estivesse sendo pessoalmente ameaçada, ninguém está disposto a conceder um ponto, ou propriamente argumentar em debate, só em forçar unilateralmente sua opinião e ideia sobre o outro e a audiência.  Este é um exercício de orgulho, mostrar superioridade sobre o outro, em um assunto ou circunstancia que nunca vai importar para ninguém, além do curto círculo de pessoas em que você está envolvido. E sim eu sou o mais culpado disso na maioria das situações.


Essa perspectiva para mim demonstra a maior fraqueza do ativismo político de internet.  Nesse ambiente ninguém está disposto a mudar de opinião, ter suas clarezas e visões e realmente desafiadas, criando dúvidas sobre seu prospecto e possibilidade. Na verdade, a única coisa que isso acaba atraindo são adversários, pois não importando que crença e ideologia vc proclame, pessoas vão te julgar, e hostilizar unicamente por causa dela.


Existe também um lado cínico, que muitas vezes parece enxergar a situação com mais clareza.  Não importa o quanto vc fale, argumente, acredite numa causa com todo seu ser, buscando mudar a forma como a sociedade se estrutura, isso nunca vai acontecer (pelo menos não em termos de ação individual). O controle da situação material, sua ideologia e instituições que a sustentam são um arcabouço milenar, o qual não existe solução ou alternativa à vista. E não importa o quanto marxistas repitam, temos que prestar atenção unicamente nas formas materiais da sociedade, esta é nossa luta e única chance de liberdade, mesmo que a pessoa queira, ao entrar nessas questões ela deve estar ciente de que há pouquíssima esperança de resultados práticos no processo.


Apesar de racionalmente eu entender a futilidade do exercício, sou muito pouco simpático a tal opinião.  Existe muita miséria, frustração, pobreza, desperdício, um senso de perdas e enormes dificuldades abrangendo muitas pessoas, e a ideia de simplesmente olhar isso e não fazer nada é insuportável. Existimos nessa realidade, vemos essas pessoas todos os dias, observamos seu sofrimento, questões, dificuldades, o desespero de alguém que perdeu tudo sendo uma experiência possível. Mesmo que um caminho de busca pela própria felicidade, achar o valor e significado unicamente na própria existência seja mais justificável e exequível, paradoxalmente não me vejo realizado seguindo essa opção. Isso é um caminho com certas doses de aflição, e dificuldades, que não quero exatamente enfrentar.


E é com esses questionamentos que eu volto ao maior problema, o que eu deveria fazer então por essas pessoas? E essa é simplesmente uma resposta que não alcancei. Não sei responder quanto ao cálculo econômico no socialismo, não vejo qual o caminho da sociedade superar suas desigualdades de classe, para terminar com os efeitos e conflitos da pobreza. Não posso articular e apresentar uma visão desenvolvida sobre a questão de lutas de identidade, suas tentativas de conquista de direitos, e superação de formas de opressão a qual estão submetidas. Nem imagino sobre se é o poder político ou econômico que deveríamos realmente temer ou neutralizar. Não tenho nada indicar quanto a superação, ou resolução de qualquer problema existente, e qualquer resposta que eu possa dar a essas perguntas, seria infinitamente simples demais, e incapazes de lidar com o problema.


Como alguém realmente incapaz de OBJETIVAMENTE responder e confiar nas respostas que estou dando a cada uma das questões que se colocam a frente da sociedade, decidi simplesmente não me manifestar nesses pontos. Não é uma questão de não existirem um lado ou escolha política por minha parte, mas me falta a convicção sobre o que escreverei é o certo, e nem tenho certeza sobre a utilidade ou particular confiabilidade das conclusões que poderiam vir desse trabalho.


Ainda que ao avaliar arte sejam inevitáveis um tipo de julgamento ou ideologia políticas, não posso simplesmente ignorar a ideologia e opiniões do autor, desejo me manter nesse nicho especifico. Crítica de arte, minha exploração de ideias se baseia na criação, manipulação de conceitos e símbolos de um criador.  Diretamente confrontar ideologias e escrever sobre o mundo está muito além do escopo e intenção. Assim sem embargos caso queiram saber ou comentar esse tipo de coisa me perguntem diretamente, adoro fazer rants, e comentários sobre assuntos aleatórios.  Só não esperem nesse espaço, aquela grande “analise” ou palpite ponderado sobre algum grande assunto, ou o governo, pois tal nunca chegará.

(Mas reclamar de youtbers é belo, moral e fácil, então irei continuar fazendo) 


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Mentalidade anticapitalista review


(Trabalho de um socialista frustrado tentando descontar sua raiva quanto ao homem que refutou sua ideologia de vida)


Ludwig Von Mises, o homem, a lenda. Aquele que entre outras humildes conquistas refutou completamente o socialismo, o demonstrando como impraticável como modo de produção econômico. Uma pessoa que longe de ter suas ideias esquecidas, está no centro do ressurgimento da direita, e é clamado como guru por diversos movimentos habitando as entranhas da internet. Esta será uma discussão de uma de suas obras, e como ainda apresenta pontos importantes, para discussões atuais.


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Importante primeiro estabelecer de que tipo de livro estamos falando aqui. Esse não é uma bem pesquisada, sensível e bem estruturada analise sobre a mentalidade “anticapitalista”. Na verdade eu estaria em apuros se me pedissem para detalhar a estrutura, e formato da argumentação desenvolvida.  Não há absolutamente nada de fontes, dados estatísticos, métodos de se verificar e explorar mais a fundo os pontos levantados.  Mal existe um tema, ou tópico delimitado nesse escrito, indo de forma bem livre entre cultura, psicologia, economia, artes, cinema, empresas, Hollywood, romancistas, cientistas, sem muito porque, ou razão. Tudo só ligado ao vago tópico do anticapitalismo. Conceitos amplos e dificilmente definíveis, como capitalismo, laissez faire, socialismo, e comunismo, são usados de forma abusiva, com quase nada de explicações sobre seu significado, ou do que diabos o autor quer dizer com cada um deles. Então sim, esse é o equivalente acadêmico de uma conversa de bar.


Não entendam a descrição como um necessário juízo de valor, isso está longe de uma sentença de ausência de méritos. Um autor com muito a dizer, em termos de tópicos e conceitos, atrevimento e coragem o bastante, pode fazer uma apresentação dessas fascinante, sem nada de rigor acadêmico, podendo entrar numa longa, provavelmente não muito particularmente profunda discussão sobre varias coisas. E no processo te fazer rever vários conceitos, desafiando muitas preconcepções (esse é o apelo por trás de qualquer blog afinal).


Mises, contudo, falha no erro cardinal de qualquer pretenso comentarista politico. Não se enganem pelo titulo achando que existe um mínimo esforço ou tentativa de entender a mentalidade “anticapitalista” nessa obra. Na verdade o que é impossível achar é um debate franco com a oposição ao autor, ou uma mínima troca de ideias. Serio, em diversas paginas Mises destila ódio a seus opositores, os tachando de burros, desonestos, vis, maliciosos, incapazes e não desejosos de entender a verdade. Existe uma tentativa bem obvia de distorcer, simplificar e demonizar suas posições, ao mesmo tempo em que o autor se nega a dialogar ou abrir espaço para esses conceitos. Perolas exemplificando essa atitude no livro são intermináveis, este é o responsável por brilhantes afirmações como o socialismo é resultado de invejosos, frustrados com sua situação de vida e fracassos pessoais, tentando destruir a ordem vigente. Que nenhuma pessoa verdadeiramente inteligente pode defender o comunismo tendo boas intenções, e os intelectuais do movimento são maliciosos tentando se aproveitar da situação e desconhecimento das massas. Ou que não existem diferenças entre welfare state, socialismo e comunismo, é tudo no fundo comunismo. E isso só me mantendo nas expressões utilizadas mais marcantes, ataques gratuitos, assim como diversas tentativas de generalizar e apresentar socialistas como a mais vil oposição são abundantes.  Essa mentalidade não é um objeto para dialogo e entendimento, mas sim algo que deve ser exterminado e destruído. Há até um trecho até que o autor defende de forma bem hipócrita, que um estado que simplesmente removesse essas opiniões e pessoas, mas mantendo a liberdade de expressão para outras seria o ideal, mesmo que impossível de existir.


Contrastado a esses infames anticapitalistas, está a figura do capitalismo, perfeito e ausente de problemas, apesar de odiado por invejosos.  Assim como a de seu pobre profeta, Ludwig Von Mises, que é perseguido, e ignorado por sindicatos, editoras, e pelo meio acadêmico, apesar de estar certo sobre absolutamente tudo (sim ele literalmente se afirma como objeto de perseguição de esquerdistas). E sim as camadas de autoindulgência, e fabricação sobre a realidade que este livro está disposto a ir são demais para mim.


No fundo essa indulgencia e complexo, de ser o não compreendido e perseguido, apesar de melhor que os outros, não são o problema, mas a atitude toda desse livro é difícil de perdoar.  O maior problema e dificuldade da humanidade (especialmente em campos sensíveis como politica e economia) é nossa incapacidade de propriamente dialogar com os outros, entender suas crenças.  Todos estão prontos a qualquer instante a demonizar a oposição, culpa-los por todos os problemas e dificuldades que existem no mundo, sem qualquer abertura a outras opiniões.  E eu considero esse tipo de mentalidade um desastre, se temos certeza da validade de nossas proposições, e que sabemos o certo para a sociedade, é apenas por meio do debate de nossos ideais, seu poder de convencimento e capacidade de persuasão da validade de seus méritos, que podemos aplicar esses pontos. Cada ser humano em especifico é absolutamente ignorante sobre a realidade como um todo, e tem muito a aprender com as pessoas que interage, não importando o quanto possa vir a discordar delas. Eu tentei fazer essa ponte vindo a ler sobre a escola austríaca, pois mesmo não sendo exatamente simpático a muitas de suas posições encontrei diversas pessoas que o são. Com o objetivo de melhor entender suas razoes, já que mesmo que não concorde, talvez elas tenham um ponto ou estejam corretas sobre a forma como a sociedade deva se estruturar. No mínimo eu esperava absorver um conhecimento e realidade, que eu não tinha antes, o que também são aspectos importantes.  Por isso ter um autor tão resoluto, teimoso, raivoso contra tudo e todos, e orgulhoso de sua tentativa de não tentar entende-los é tão difícil de aceitar.


Mesmo odiando cada segundo lendo essa obra, existe uma boa lição e questionamento para se tirar daqui. Não é toa o ressurgimento e força atual de Von Mises no debate atual, com o crescimento de um movimento de internet, que o adora como um Deus.  Especialmente se considerarmos que estamos na era aonde debates políticos são brigas para aniquilar o adversário, conduzidas por youtubers que sabem pouquíssimo dos assuntos que falam, mas que tem multidões de seguidores pela natureza do conteúdo extremo que produzem. Esse livro permite antever e compreender melhor não o anticapitalismo, pois feito por alguém completamente alheio a este, e que não quer entender nenhuma de suas posições. Mas o anticomunismo, comunismo se apresentando como o inimigo máximo da humanidade, algo a ser destruído, e visto numa variedade movimentos, circunstancias e aspectos absurda. Esta sendo talvez a maior contribuição, e razão para relevância desse trabalho.


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(Não, eu não vou ler ação humana, já viu o tamanho daquele negocio?)

domingo, 4 de agosto de 2019

Four ways to forgiveness review


Bem vindos a minha tentativa de mostrar a qualidade da melhor autora de todos os tempos, com minha péssima escrita e argumentação


Elogiar um trabalho da autora Ursula Le Guin beira a redundância, sendo suas qualidades extremamente bem conhecidas. Este livro marca sua volta ao universo do ciclo Hainish, iniciado décadas antes, e é uma nova demonstração das qualidades de seu trabalho.


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A perspectiva sobre sci-fi executada é consistente com obras anteriores. Tecnologias futurísticas nesses livros nunca são exercícios mentais para imaginar como será o futuro, mas buscam apresentar como esses aspectos afetam e informam a vida, conflitos e situações dos personagens, e suas sociedades. Sim existem armas de destruição em massa, uma enorme rede de comunicação ligando instantaneamente vários planetas e povos, naves capazes de viajar na velocidade da luz. Mas essas tecnologias importam não como abstrações cientificas, mas sim conforme seus efeitos psicológicos, como uma sociedade com essas tecnologias funcionaria, quais seriam a natureza dos conflitos que ela geraria, como elas permitem várias experiências e situações dos personagens. Todas são relevantes como meio de entender narrativa, e entender este mundo e seus habitantes.


O livro é único em relação a obras anteriores da autora (que eu tenha lido claro), pois apresenta uma atualização de seu conflito e sociedades para mais diretamente responder questões políticas atuais. Não mais existem as claras alusões e referências ao ambiente político da guerra fria (a batalha por supremacia entre Karhide, e Orgoryen em the left hand of darkness sendo o mais claro exemplo dessa tendência). Neste livro somos introduzidos a diversas questões paralelas e relevantes no movimento da descolonização do continente africano, a relação Werel – Youwe claramente evocando a situação colonizador colonizado. O Ekumen também assume papel moralmente mais ambíguo, agindo como união de planetas que existe em semelhança com a ONU, que em ocasiões mitiga conflitos e promove a paz, em outras atua como fator desagregador, trazendo instabilidade a costumes e práticas das sociedades.


Talvez uma das questões mais feitas na história da humanidade, é a do que acontece no dia seguinte a uma revolução, e uma das que autora está mais interessada a resolver. As vozes clamando por injustiças a mudanças drásticas em como uma sociedade funciona, para resolver seus problemas e injustiças, são inúmeras, mas existem poucas perspectivas claras sobre como reconstruir uma sociedade, após destruir suas estruturas de controle, e a ordem anterior.


Dessa questão decorre um dos maiores conflitos da obra. Claro, lutar e destruir um governo despótico baseado em exploração e literal escravidão da população de um planeta, nunca é questionado como causa injusta, algo que vale a pena se lutar e morrer fazendo. Mas o que substitui esse governo totalitário são diversas consequências inesperadas, agitação da população, instabilidade política, guerras civis entre líderes regionais, e a população feminina tendo seus direitos e autonomia resguardados de forma ainda pior, como pessoas livres, do que no governo anterior.


O objetivo é mostrar como não se fabrica uma sociedade com ideais como liberdade, ou uma simples troca do governo como resolução de todos os problemas. Existem marcas e consequências de um processo colonizatório, aonde ler e escrever era proibido para escravos e punível com morte, que são extremamente difíceis de superar. Não existe uma estrutura métodos econômicos e bens, para promover uma vida, educação ou a infraestrutura minimamente adequada para a maioria da população. Também tenta apresentar como as diversas questões e conflitos pelos quais essa sociedade passa se relacionam, a questão racial relacionada a de gênero, que está junto com a questão educacional dessa população e as inúmeras tensões sociais. Apenas com o reconhecimento dos inúmeros pontos de atrito em jogo nessa sociedade, é possível que esta realmente avance e resolva suas contradições.


Juntando essas ideias em 4 historias separada temos nossos personagens. Le Guin nunca está contente em simplesmente mostrar vítimas, opressores e oprimidos, uma luta entre o bem e o mal, sempre buscando observar e escrever sobre um assunto de pontos e formas diferentes. A estrutura de várias histórias permitindo a autora apresentar diversas perspectivas, seguimos o principal líder da revolução, que se desgraçou como político e vive em quase exilio, senhores de escravo, um soldado que acredita fielmente nas divisões e instituições de sua sociedade, embaixadores de outros mundos observando a situação, escravos fugidos, e uma mulher que perdeu tudo com a revolução.  Todos trazendo uma ideia, uma visão e forma de ver o conflito únicas, permitindo entender e ter a experiência do evento histórico e da vida nessa sociedade de formas diferentes. Não existem claras dicotomias, mas uma franca abertura e capacidade de debater cada um dos tópicos que o livro quer explorar, por todos os lados possíveis, a exaustão. Cada personagem principal trazendo um componente novo. Isso constitui o tipo de políticas complexa, comentário político meticulosamente apresentado, e fascinante exploração, que não considero que algo como LOGH, apresenta nessa capacidade.


Indo em conjunto com tais aspectos, existem espetaculares personagens, com intimas histórias de suas vidas e situações. Cada uma das 4 narrativas principais sendo estruturada como um romance, relacionada a necessidade de entender, buscar contato e compreensão junto ao outro. Le Guin sempre retrata o político como algo extremamente pessoal, baseado nas visões e questões dos personagens que estamos seguindo. A busca por relacionamentos superar as barreiras de entendimento, sendo de certa forma as mesmas que orientam a busca por paz, convivência, e compreensão entre povos. A solução para cada um dos personagens achar sentido e valor na vida, apesar das circunstancias ruins que se encontram, são sempre as mesmas, por meio do contato, uma disposição para entender e abraçar os outros em sua diferença. Esse é o caminho para aceitação, perdão e felicidade, que a autora advoga em cada um de seus trabalhos.


Apesar de ausente muito do melodrama e do principal que fazem os despossuídos o meu livro favorito, four ways to forgiveness é um excelente livro, que alcança sucesso em tudo que tenta fazer, e não posso recomendar o bastante.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Resposta a Vídeo Quest 92 - End of Evangelion.



Para qualquer um em dúvida sobre o que vai encontrar aqui, essa não será uma compreensível bem argumentada e estruturada tese. Este é um estupidamente longo, raciocínio, com ideias aleatórias que tive ao visualizar o mais recente Vídeo Quest https://www.youtube.com/watch?v=YaADn1uec4E. Meu objetivo é manter um nível de diálogo e conversa civilizados, não pretendendo ofender a ninguém pessoalmente, só acho que uma discussão sobre esse vídeo permite entender certos aspectos do melhor filme já criado (no mínimo pelas razoes erradas).


Sexo e morte é aonde a maioria de conversas sobre EOE deveriam começar, (e muitas deveriam terminar) o que pra mim é algo digno de nota. Espero não surpreender ninguém trazendo conceitos freudianos nesse espaço de discussão, sendo a Evangelion notório por isso. Em teoria Freudiana (ou conforme meu limitado conhecimento dela permite distinguir) sexo e morte funcionam como os motivadores de todas as ações, as pulsões humanas principais, sendo situações opostas. Morte simbolizaria o máximo separação entre 2 indivíduos o ponto em que 2 pessoas não tem qualquer possibilidade de diálogo e proximidade, já sexo a maior proximidade, maior forma de união de 2 indivíduos.


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(Eu realmente nao conseguiria sem esses caras)


Entender essa dualidade de conceitos é essencial, quando olhamos a maioria das cenas nesse filme individualmente. Buscando demonstrar a realidade da separação, incompreensão, dificuldade de entendimento criação de laços, ou de existências humanas satisfatórias, EOE, utiliza elementos de tragédia, e apresenta um caráter bem claro em diversos momentos. Sexualidade é normalmente a primeira ação do personagem, uma tentativa de se aproximar e formar uma relação (Gendo dizendo pra Ritsuko que a ama, gendo dando investidas sexuais com a rei, shinji se aproximando sexualmente da Asuka na primeira cena) Usualmente tais tentativas são seguidas de fracassos, incapacidade de comunicar e dar vazão a sentimentos, sendo rapidamente seguidas por morte, tentativas de agressão e ferir a pessoa objeto da ação (Gendo literalmente matando a Ritsuko depois de dizer que a ama, demonstra isso muito bem).


Observar esse ideia dá uma explicação muito melhor para diversas cenas do que a apresentada no vídeo. Acha a explicação de mostrar a Misato transando com o Kaji, como forma de insulta a masculinidade frágil do Shinji algo bem insatisfatório. Primeiro por que Shinji não está sozinho na cena, sendo acompanhado pela Asuka, sendo claramente algo não unicamente sobre ele. E na verdade a reação dela permite muito mais informação. Sua repugnância quanto a esse tipo de atitude, e dizer que nunca faria isso com o Shinji. Na verdade a reação dos personagens é em relação a ideia de sexo simbólico, união e proximidade máxima entre duas almas, a formação de um relacionamento saudável e adulto. Exatamente o tipo de coisa que Shinji acabou de rejeitar, na circunstancia da cena, ao querer começar o processo de instrumentalidade humana.


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(Good vibrations and memories)


Em relação a Asuka, o vídeo também demonstra uma incompreensão da importância da reconciliação da personagem com a mãe no filme, sendo que para mim esta informa todas as ações que toma. A questão da reconciliação com a mãe e aceitação dela, tem que ser tirada do contexto do Shinji, aonde tal representa imaturidade, incapacidade de olhar para o futuro, e crescer, e para as condições especificas dela como pessoa. Asuka é definida durante NGE muito mais por sua independência (mesmo que ilusória) em relação a figuras paternas, não buscando reconciliação ou reconhecimento por parte de uma delas.  Na verdade em todas as circunstancias que esse assunto foi tratado, ela negou que a alma de sua mãe estivesse na unidade 2 (como Rei sugeriu), que esta fosse um ser vivo, ou que ela poderia entender ou se relacionar com sua mãe desse jeito.
Mas as marcas da separação parental também são aparentes nela. Seu desejo de independência é enorme, vontade de não demonstrar fragilidade, dificuldade, se forçando a um crescimento forçado, e a agir como adulta em face de outras pessoas. Sua relação com os outros também é contraditória, uma hora pedindo por reconhecimento, que estes a elogiem, digam quão boa pilota ela é, e ótima em tudo que faz. Ao mesmo tempo em que ela tenta manter eles o mais afastado possível, se negando a compartilhar fraquezas, fragilidades, atacando os medos e inseguranças dos outros a menor provocação. De certa forma ela teme dependência, ser só uma boneca na vida de alguém, e não ter valor capaz de ser a qualquer momento abandonada E mesmo assim falhando em reconhecer, admitir o outro como ser, e se relacionar de forma saudável.


É nesse contexto que entra sua reconciliação com a mulher mais importante de sua vida. Pela primeira vez Asuka reconhece que existe alguém junto com ela, que a luta não é unicamente para chamar atenção quanto a ser especial. Agora a personagem é capaz de se ver não apenas como boneca, a qual foi deixada para ser abandonada, que ela tem valor, pode lutar e se resolver como pessoa. A livre manipulação do ego, com o controle do campo AT, e sua recém formada recuperação e determinação demonstrando esse fenômeno. Ela tomou os primeiros passos para se tornar adulta e alguém capaz de viver sem níveis não saudáveis de confirmação, o que faz ainda mais brutal, sua perda quanto os eva produzidos em massa. Se vc quer entender pq ela rejeita a instrumentalidade, sendo capaz de se afirmar, restabelecer seu ego e corpo voltando a existir, esses momentos explicam muito isso (não o Shinji magicamente desejando ela de volta ao mundo lol).


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(Estou a anos tentando, nunca consegui)


Aqui eu gostaria de fazer um argumento por Shinji Ikari, porque não considero particularmente produtivos os termos e analise realizadas. Dizer se ele é altruísta ou egoísta é quase irrelevante, não tendo nada haver com os verdadeiros problemas, e situações que ele precisa enfrentar. Eu poderia dizer que o personagem é extremamente altruísta, ele pilota o Eva sem aparentemente ter nada a ganhar pessoalmente com isso, arrisca sua vida numa base diária pelos outros, constantemente toma atitudes pela Rei, realiza todas as tarefas domesticas e diárias da casa da Misato apesar de não ter qualquer obrigação disso. Se nega a machucar os outros, mesmo que a severas consequências pra si mesmo, quando enfrentou Toji e Kaworu. Droga a própria ideia dele não fugir apesar de odiar ser piloto e essa vida, se baseia em um se importar com as pessoas desse lugar, e agir de forma empática em relação a elas como demonstrado no episódio 4. Sim existe muito de insegurança e querer que gostem dele, mas fuck ninguém é perfeito e muito menos o Shinji. O problema que ele precisa superar, o crescimento necessário que o filme apresenta, são de uma natureza completamente diferente, não fazendo qualquer diferença se ele é altruísta ou não.


Nada melhor para mostrar isso do que em seu dialogo final com a Misato, a personagem que chegou mais próximo de compreende-lo e formar relação. Tentar fazer o Shinji encarar a realidade não tem nada haver com culpa-lo por ser um egoísta depressivo, ou dizer pra ele entrar no robô. Misato entende as razoes intimas para ele não alcançar sua felicidade, sua incapacidade de aceitar seus erros, a tendência de se machucar e aos outros, por isso simplesmente parecer mais fácil pois se odeia, as tendências a auto sabotagem a qualquer chance de alegria na vida, e a incapacidade de decidir qualquer coisa por si mesmo (sim egotisticamente). São essas tendências, de não conseguir se afirmar nem escolher, simplesmente se escondendo dizendo que apenas os outros devem tomar essas atitudes, dependendo deles para tudo o ciclo interminável de auto ódio e culpa relacionados a toda decisão e momento, são esses os aspectos mais claros que Shinji precisa combater.


Misato tomando a posição empática que ela ocupa junto aos personagens busca desconstruir essa visão, mostrar que erros são uma parte natural do processo de crescimento, que ele vai constantemente falhar, fazer coisas idiotas, machucar pessoas no processo e se arrepender por isso. Na verdade ela entende o quanto o Shinji não quer estar no fucking robô, como é ok para ele fugir e resolver esse capitulo da vida, se isso é doloroso demais para ele. Mas para realmente superar a situação, ele precisa pilotar o EVA novamente, achar sua vontade para viver, superar seu ceticismo e descrenças pessoais. Aonde está minha vontade razão para viver, superar esse questionamento do mérito da existência e da vida do Shinji, não altruísmo e egoísmo, mas conseguir se reconhecer como pessoa, esse é o campo de batalha travado pelo personagem.


Nesse panorama, com um Shinji com mentalidade completamente destruída, e a instrumentalidade começando, que é importante colocar o primeiro estrangulamento. A roupa e o espaço aonde esses personagens estão, estas são uma retomada do episódio 15 de Eva, aonde ocorre o beijo entre os dois, o momento mais próximo que tiveram sendo que a cena se passa quase como uma continuação/antítese desta. Shinji no ápice do seu desespero se lança em relação a Asuka, dizendo ama-la profundamente e que vai fazer de tudo para protege-la. Ambas afirmações são no fundo mentiras, apesar de no fundo haver afeto entre eles, o sentimento na mente dele é sua enorme insegurança, o desejo de ser amado, desejado que as pessoas liguem pra ele, independente de quem seja. Asuka entende isso perfeitamente, finalmente alcançado certa independência, e capacidade de se afirmar, e acreditar em si, não necessitando mais dessa confirmação. Ela rejeita esse amor impessoal, mais preocupado consigo do que com ela, baseado unicamente no medo de estar sozinho.
Nesse momento com sua última relação se quebrando Shinji surta, reage ao fracasso de conexão do jeito normal em EOE, tentando atacar a outra pessoa com a dor, desistindo de sua existência e do mérito de formar relações ou estar junto aos outros, desejando aquilo que consistira da instrumentalidade humana.


Agora vou entrar mais no mérito de diversas interpretações apresentadas no vídeo, e pq acredito que nenhuma delas explica de forma coerente qual era a proposta. E aqui tenho que dizer, a ideia de EOE como escrito baseado em reação negativa dos fãs em relação a série original, especialmente seu controverso final, que incluiu até ameaças de morte aos criadores não tem qualquer sentido. Sim as cartas de morte estão no filme, junto com outras reações, mas o contexto em que elas aparecem novamente é tudo. Elas se colocam na situação de análise de sentimento de rejeição, incapacidade de reconhecimento do eu. O áudio no momento são seguidas declarações de agressão, desentendimentos, rejeições por parte dos outros, que qualquer um passa no seu dia a dia, junto com diversas imagens e momentos da série.


O que faz extremo sentido se considerarmos o que as ameaças de morte querem dizer. Evangelion é segundo o próprio criador, uma obra que estuda os recantos mais profundos de sua alma, se inserindo nos mais diversos personagens, especialmente no questionamento do Shinji sobre existência (eu acho). Aqui Anno retrata junto a ideia universal de rejeição, que a vida não vale a pena, que vc nunca vai ser amado, capaz de ser relacionar, colocando em questão a possibilidade de ser feliz e útil, por meio do seu maior momento de rejeição pessoal, o do público odiando a arte, e obra que ele colocou sua alma e próprio ser na execução. Ao unir sua jornada pessoal com a rejeição universal que o personagem está sofrendo, Anno demonstra como esse é de uma forma seu próprio caminho para existir como pessoa.


Relacionado a essa visão deturbada de EOE como primordialmente uma resposta a recepção da audiência de NGE, se encontra tese do vídeo, em relação à conclusão de personagem do Shinji. Apesar de recorrente, a visão de EOE, como o cenário, tudo se torna completamente errado para o audience surrogate, nosso principal, é problemática por várias razoes. A afirmação do Shinji, de querer que as pessoas e o mundo voltem a sentir dor, é interpretada como um grito de um psicopata, apenas querendo gerar dor e sofrimento no mundo e em todos a sua volta. Quando essa leitura literal completamente perde a ideia do que é sentir dor em Evangelion, um significado estabelecido durante toda a série. Porque EVA é uma história extremamente focada em como as partes dolorosas, os inúmeros ferimentos e desentendimentos que encontramos durante a vida são importantes. É a partir deste que podemos estabelecer relações com o outro, reconhecemos a felicidade, podemos viver o sonho, e dolorosamente construímos a realidade.


Shinji literalmente diz, achei que eu estivesse criando um mundo sem dor (ao desejar pela instrumentalidade). E adivinhe o que era o mundo que ele desejou? Um local aonde nada existia, não restava qualquer senso de eu, apenas um aglomerado indiferente de todas as pessoas que já existiram, relacionamentos pararam de machucar, mas a que custo? Essa negação tanto do eu como do outro com um aniquilamento dos dois, não é uma aproximação por meio do amor e não permite criar qualquer sentimento. Ao viver na instrumentalidade, o humano se recusa a sentir alegria, amor, esperança.


Isso é o pq Shinji quando confrontado por essa realidade, deseja a volta da dor. Longe de um masoquismo, ele literalmente afirma que quer voltar a existir, estar nesse lugar e universo junto a essas pessoas. Pois sabe que apesar de não ter certeza da felicidade, ele sabe que foi feliz, em diversas instancias junto a eles, algo impossível de alcançar na instrumentalidade. Ele quer se permitir sentir a alegria, e um universo de experiências, assim como a dor, e dar um mundo uma chance de escolher e passar por isso, criar um novo futuro. Tanto que o filme narra, qualquer pessoa que assim escolha, pode abandonar o coletivo e passar a ser eu, não apenas o Shinji ou a Asuka. Esse é tanto o caso que as figuras simbólicas que explicam a mensagem ao Shinji, são a representação visual da Rei durante a instrumentalidade, a qual representa a esperança de que humanos venham a se conhecer e estabelecer relações, e a do Kaworu, o qual simboliza o amor possível que humanos podem alcançar. Boa sorte entender qualquer coisa do que esses dois estão falando, se vc enxergar EVA, como o principal querendo espalhar dor e ódio ao mundo.


O cenário apocalíptico criado dessa escolha também é bem relevante. O mundo pôs apocalíptico é bem intencional, como Yui mesmo diz, conforme os humanos achem a vontade para viver qualquer lugar pode ser o paraíso. E essa é a terra para a qual as pessoas estão acordando após o terceiro impacto, um mundo aonde as pessoas que estão lá acharam a vontade de viver. Que importa isso ser literalmente o inferno na terra?


Minha explicação até aqui pode parecer não fazer qualquer sentido considerando o final, o ultimo estrangulamento da Asuka e sua declaração final. Mas aí entra a beleza, e genialidade deste. Imediatamente ao voltar a existir Shinji é tomado pela mesma dor, o mesmo sentimento de inadequação, ser inútil e relacionamentos gerarem apenas sofrimento. Assim volta ao mesmo padrão, infringindo dor a pessoa que não consegue interagir. Essa sequência longe de surpreendente, é algo simbolizado no próprio filme, quando a personagem se recusa a acreditar que existe qualquer esperança, e amor no mundo, e que estes iriam facilmente se romper quando confrontados a realidade, submetidos a solidão de existir. A promessa de uma nova vida ocupa espaço de utopia inatingível.


Um paralelo entre esse momento, e um flashback do passado do Shinji muito ignorado, é algo essencial nessa cena. Este simboliza o momento em que tudo começou, o padrão de relação teria começado a se repetir, e iniciaria o caminho para chegar nesse momento. Nessa memoria, Shinji brinca, tem muita diversão e alegria num parque com algumas crianças, construindo algo grandioso como sinal do laço. No entanto conforme escurece as outras crianças voltam a suas famílias, lentamente se afastam e se esquecem completamente da criança que permanece no parque, a espera de qualquer um que venha busca-lo. Sendo deixado sozinho, com a solidão e sofrimento o tomando, ele parte para destruir o castelo de areia, furiosamente atacando isso, conforme via o que construiu sendo completamente destruído por ele. No entanto no meio as ruinas, o fato de ter ferido, e fugido das relações, a dor relacionado a isso o consume, tomado pelo arrependimento, o levando a desesperadamente se ajoelhar tentando reconstruir a ruina de um relacionamento.


Exatamente a mesma circunstancia acontece no final. Uma pessoa sozinha, não sabe lidar com a solidão e peso do existir, se voltando a acreditar que existe apenas a dor ao se relacionar, e vindo com um desejo de ferir. Ao se voltar violentamente a Asuka, tentando fazer a dor passar Shinji se surpreende, ao invés do julgamento ou uma resposta ao grau de violência visceral que executa ele encontra carinho. Ela busca discretamente conforta-lo com um aceno de mão. É esse pequeno gesto de reconforto que o permite parar, ver outro lado no relacionamento que criou com a Asuka, e enxergar e sentir outro lado nas relações humanas.


O tom de ambiguidade é essencial para fazer Evangelion funcionar. Sendo esta uma narrativa sobre criar a realidade, o valor e sua própria existência a partir de valores pessoais e sua forma de ver o mundo, permitir a audiência criar o que considerar, ou projetar sobre seu encerramento é importante. Shinji pode ter matado Asuka exatamente naquele momento, ou esta pode ter sido a grande virada, para criação de um eu mais maduro, novos laços em sua vida. Simplesmente dar esse tratamento a um tópico como os relacionamentos, e ideias principais da série, é extremamente preferível a interpretação de vida é uma merda, quero fazer todo mundo ter dor e sofrer pra sempre (But hey, this is just my anime theory).


Imagem relacionada

(Eva week, e o fato que todo mundo decidiu soltar videos sobre EVA, foi a pior coisa que aconteceu)



Esse campo de interpretação não permite deturpar toda a ideia que a série/filme vinham concluindo, nem supor que agora ela é sobre algo que não tem nada haver com o construído, ou com quase qualquer coisa em EOE. Para mim existem amplos sinais de intencionalidade, e pistas claras de rumo de personagem, e ideia que não vão a lugar nenhum considerando que EVA tem um bad ending.
Queria concluir esse texto, explicando o pq é tão importante para mim estabelecer qual é a ideia de EOE, e pq inúmeras interpretações me frustram absurdamente. NGE, e EOE, são ambos no cerne obras preocupadas extremamente em justificar a existência, responder o pq viver, qual o valor de estar aqui, e como posso construir algo da minha vida. E nesse sentido são obras absurdamente inspiradoras para mim, apresentando um dos finais mais pro-vida que consigo pensar, me dá um senso de esperança a experiência dos dois, de conseguir mudar criar uma melhor versão de si mesmo, e de finalmente vir a me aceitar como pessoa. Evangelion me faz sentir extremamente bem, saber que existe no mundo alguém capaz de demonstrar o pessimismo, que conhece todas as razoes, pelas quais a vida pode não valer a pena.  Um sujeito que consegue escrever um personagem frágil, vulnerável e uma péssima pessoa que se odeia de todas as formas possíveis. Mas ainda assim contar a história de como ele, como indivíduo horrível, e ainda assim capaz e merecedor de existir, em que ele escolhe estar no mundo como si mesmo, e vir a conhecer de novo as mesmas pessoas. Uma narrativa sobre se permitir ter a felicidade, finalmente tomando os rumos e assumindo as escolhas importantes durante a vida.


Por isso o Vídeo Quest e qualquer outro vídeo que siga essa abordagem (eu culpo o horrendo vídeo do folding Ideas por iniciar essa trend de interpretar EOE dessa forma) está, para mim, matando Evangelion. Existe uma obra com uma mensagem, uma ressonante ideia pro vida, extremamente bem trabalhada conforme sua duração, e aqui estão esses criadores matando a arte, defendendo que ela tem bullshit niilismo, e é a história de um sociopata querendo causar dor ao mundo. Eles pegam o Magnum opus em ficção, minha razão maior para me comprometer com minha própria vida, e estão diretamente negando e destruindo seu valor e mensagem. Não existe experiência pior que ver um vídeo sobre isso.

domingo, 30 de junho de 2019

Evangelion 2.0 review


This is a mostly bad, and kind of incomprehensible old Evangelion 2.0 review I have posted on myanimeslist(hence the English). Despite really not being good and well structured, this made some fine points, and reflects some of my thoughts about the movie, so I decided to repost it.


What is the worst anime of all times? What is the criteria to even consider, a piece of fiction to such an infamous title? Those are questions I hopefully can end up answering, while giving insight to the colossal mess, that is eva 2.0. Many will take certain approach with some reserves, a worst anime of all times discussion usually is only warranted to a certain type of titles. You probably know them by now, those ultra-trashy, low budget ovas, the likes of mars of destruction, skelter heaven, garzeys wing (at least that was when everybody flipped their shit, whenever I tried to argue shows like charlotte were the worst thing I have seen). And while those unanimous bad shows certainly are awful, I would never call them insulting. No one in the production of those were under the impression of making a great show, neither did anyone put any real effort to make it so, so why would I get mad over how bad the final product ended up being? There is no passion, no ambition on such projects, they are just lazily made projects, made in the hopes of getting a laugh or two, because of how bad they are. And those usually succeed on those low ambitions only. There is nothing to grab here, nothing to get really angry or mad about. Such forgettable anime, no matter how technically bad they can be, or how a lot of their individual’s elements are way worse than anything else, will never stand as a worst anime of all times list for me.



(How awesome, Shinji finally mans up)


And here I brought the discussion back to evangelion 2.0. I was not laughing when watching, it because of how awful all its aspects were. Like there are lots of things even I can admit where incredibly well made, this is a gorgeously well animated, greatly directed, with cool soundtrack, film. The action set pieces are completely stunning, the shot composition (as with anything hideaki anno makes) is superb.


Neverthless the act of watching this was pure agony, I ended up scratching my face, facepallming and even screaming angrily at everything that was happening on screen. A this is not how this is supposed to be thought, crossing my mind at every moment and scene of the movie. Anyone that is reading this can probably guess by now, I am a diehard fan of the old neon genesis evangelion series, the old series and eoe, being my favorite piece of fiction ever created. It is such a personally important anime, for reasons, I hope I can in write in the future, in a pretty fucking long essay. And after finishing those two, the most inspirational and important thing for me, I went and watched all 3 rebuilds that are out. However before anyone gets any funny ideas, no I do not dislike these movies simply for they being different (I am sorry, NGE is just so perfect doing things another way is usually wrong). I do not want these movies to simply be a scene by scene copy of the series, that would be completely pointless, Eva 1.0 was almost a carbon copy of the series original episodes, and that only made it passable at best. So let’s get into some specifics of why I loathe this movie.


For starters, the characters are not that interesting or fleshed out, especially when compared to its older series counterparts. Sure, in order to streamline this and make the material work as a movie, changes were inevitably going to be made considering, how unlike 1.0, this one actually, complicates the plot (a lot) and brings a few new aspects that were absent in the original (surprise, none of that shit actually worked to its advantage). But really sacrificing a lot of the character depth in eva, in order to make room for more mecha action and plot oriented series? That is a low blown. Remember when we had this superbly made episode 4 of nge, that had such great insight to shinji’s character, and gave weight to his relation with Misato? FORGET ABOUT SUCH SHIT, because let me tell you, not only the characters on screen are not that interesting, their interactions are also shafted, there is not enough time dispensed to properly stablishes how every character reacts and affects one another, no relation feels organical or well developed. It all fells so artificial, like these are the works of a checklist, of the minimal things to do, in order to make the audience remotely care and understand the characters. For example, Asuka is on screen for a total of 8 minutes before falling in love with shinji, talk about contrived character writing. Again a lot of people will not agree on how serious of an issue this ends up being, having a more action heavy, almost blockbuster like formula of this movies is bound to appeal to a lot of people.


But no, for me most of the appeal of eva was not in the mecha battles, even if those were undoubtedly entertaining to watch, nor in its cheese save the world plot. But in its flawed characters, that had to face not only a lot of pressure from the duty as pilots, but a lot of more universal and relatable personal issues. Like the pains and joys of human interactions, how said interactions may come to define us, our world views, how we see ourselves, how important it is to come to our own as an individual, make your own decisions and take responsibility for their consequences. And to be fair it is not like those ideas are absent in the movie, there is definitely an effort to allude and portray a lot of the same topics.

Though this ends up being mostly wasted effort, the protagonist we see on screen right now, is no longer that complex individual desperately struggling with his fear of rejection, and the fact he never acted upon any of his desires. Now all we end up having is a generic harem lead, that has chicks literally fighting to be his girlfriend. Asuka also really changed, long are gone the days where she was that self-centered bitch, that really needed confirmation from others, while at the same time isolating herself, a person that only defined her value in life in regards to how good she was as a pilot. Currently she is a generic tsundere, that only cares about the great Shinji Ikari. Anno even had the audacity of changing the iconic evangelion elevator scene, and change the dialogue, from rei’s view of herself, asuka's trauma with her mother and need of confirmation, to a literal fight about who should be shinji’s number 1 girl. Why would I care, or how could I relate to the themes in display, no matter how personally important they may be? How the fuck I am supposed to really relate to these characters? To make matters simpler, I did not like what they did to my Shinji, my misato, hated what they did to my gendo, and my god, Asuka, what did they do to you?



(stock footage, and nothing happening was better)


Wish fulfillment and escapism are not terms of criticism I really like using against fiction. Those are so overused, because of the way how everything is labelled as such, the terms have lost a lot of their meaning over time. I will have to use those here, because very rarely I have seen something that was so transparent, about its intent of being a wish fulfillment fantasy. If you have any better way, to describe a show where our protagonist literally says, I do not care about the world, I just want to save this cute idealized version of human being, a perfect waifu, please let me know. The tone in here reminded me more of a school comedy if anything, with lots of its aspects, like the constant ecchi fanservice moment being awfully self-indulgent. Eva always had some of that shit, but 2.0 capitalizes on that by tenfold. And like I get it, presenting this perfect fantasy, of the average male being called out to save the world, and having lots of chick fall in love with him has a lot of thematic purpose in this story. It is that escapism tale, that eva questioned and "deconstructed", in its later half, by applying psychology and real world logic to a lot of its clichés. To what degree that is so innovative in mecha (if at all) is very debatable. It turns on its head such fantasy, and in turn brings back important questions of how the audience deals with reality (Are we running away from our problems?) and what purpose fiction has in your lives. So yeah I get what Anno was attempting, it is very deliberate how pandering this ends up feeling, maybe the escalation of those aspects serve to show how bolder, escapism has become in the decades after NGE's release. But it does not change how not worth, the final product ends up becoming, especially for someone that already got a lot of the same ideas, in a way more potent way before. I might end up giving it a pass for the whole rebuild saga, if the meta, franchise angle was well done in 3.0, but that sadly was not the case.



(The quintesential, denial of moment)


The worst aspect in all of that is not even present in the movie. The fan reaction to it manages to even more annoying than the movie itself. Like whenever I see someone saying that they like this, because shinji finally acts like a man, I just want to lower my score for it even more. But that, and facts like how this lost that darker and depressive edge of the older series, how more prevalent the action scenes are, all seem to be hailed as great positives. Many even start to argue to just skip the older series, which is pretty ironical, since there are lots of aspects, specially in the next movie, that will not make much sense if you skip the older series (you will still not get it even with the context of both).



( How lovely, she even cooks for shinji now)

Those fucking opinions, I simply cannot stand that, like I know evangelion is a highly divisive series, but having this being put as a definitive version, something that makes NGE obsolete, is just so unacceptable Really, I get why people like this, but every minute watching is nothing but a slog of seeming endless torture. Something just feels very wrong in every scene, and by that fact alone, I can easily say I find the so hated eva 3.0 to be a superior work. Sure 3.0 is in a lot of ways a clusterfuck, with a fairly incomprehensible plot, however I never got the same aftertaste. It feels like eva, it had concepts like Shinji facing alone the consequences of his actions, having to face the weight of killing the person he cared the most, that I could easily get behind, unlike anything in 2.0 or 1.0. So well done 3.0, for being the first competent imitation of the original's ideas and mindfucks, that actually had enough bold choices to add anything to EVA as a whole.


I could keep complaining about every change this movie makes in the original plotline, but for someone who does not want a comparison series, I sure talk a lot about those. Instead I want to argue, what is the point of this story. While 1.0 is somewhat understandable, as a new introduction for newer audiences that did not grow up with eva, and 3.0 brings up an entire new direction for the franchise, 2.0 is sadly lacking. Sure you could say the purpose was simply to make easily digestible self-indulgent nonsense, that bridges the gap between those two, but outside of that I got nothing. This is such pointless and mostly derivative nonsense.



(Anno is such a glorious troll)


In the middle of all of this, a silver line of hope exists. I am talking about the sequel theory of course, the controversial fan theory, that the rebuilds are actually sequels to the original. It may give an entirely new way to approach these characters, and story. Like the more extreme ways the character’s act in 2.0 could be seen as a natural development of their personalities, it may also give an in series importance to how pedantic a lot of it feels, representing Shinji falling even further into escapism after failing to accept reality after EOE. It retroactively may give some value to some of the things I am complaining about. As for me, I would be really surprised if that was not the case, Anno can (not) be an idiot there are way too many fucking hints at the rebuilds actually being a sequel, to the point it will be kind of a surprising twist (not a good one) for me, if that ends up not being the case. Regardless I will wait for 4.0 to make any form of final judgement. And of course this will never redeem 2.0 in my eyes, but hey, It will become better than what we have right now.

So those are the reasons for me thinking of this as my worst anime of all times. I am of strong belief, that the individual aspects of a series have no value in, and of themselves. It is how they add up to create the enjoyment, the experience, is how I rate and judge fiction, so no, I do not believe this should be rated at least a 5 for its fantastic technical aspects, or soundtrack. Animation is completely worthless without a great story, a vision, passion and a desire to express ideas. Maybe even all of that alone may not add up to a good show, since with some ideas I have this inherit prejudice with. And maybe that is all there is towards my hate of 2.0, but hopefully, I could be more insightful than that. Lastly I would like to add that yes I do recommend 2.0. Despite my eternal grievances with it, if you did not like, or just did not care much about NGE, definitely give this is a watch. I hope you end up having a better time.

domingo, 23 de junho de 2019


Resposta a video quest 91 - Neon Genesis Evangelion - o que nos define, o que nos separa.


Isso foi originalmente um comentário em resposta ao vídeo, https://www.youtube.com/watch?v=5ZNnwaQBJnU&t=577s como não consigo publica-lo no vídeo em si irei armazena-lo aqui. Não acho que este está condizente com a maioria do conteúdo que produzo, só estou razoavelmente satisfeito com esse texto, então irei publicá-lo.

Ok eu deveria ter uma vida ao invés escrever textos absurdamente longos em comentários do youtube, que ninguém vai ler. Como vocês apresentam muito sobre temática nesse vídeo, vou ter que falar meus argumentos em linhas mais gerais, não tenho como explicar tudo, nem caberia, nesse caráter.

Para começar eu acho que para uma serie de vídeos sobre EVA que esta já no terceiro episódio, talvez seria melhor deixar a introdução com a sinopse, para não sei os vídeos anteriores, ou dar um link com isso? Sinceramente não sei muito o propósito que esse tipo de coisa serve em reviews (se a pessoa quer contexto ela deveria buscar a sinopse no google). Porque esperar toda vez uns 3 minutos para a ideia real do vídeo começar é extremamente cansativo (E sim eu falo de experiência com vídeos anteriores do canal).


Quanto a ideia de desconstrução e grande inovação de EVA, apesar de negar esse caráter, vc na verdade explicita o que ele seria no próprio vídeo. EVA diferentemente de Gundam fez com que os próprios problemas ansiedades dos personagens, suas questões defeitos e falhas pessoais, fossem o inimigo a ser derrotado no final, o que inverte a lógica de inimigos externos e mechas anteriores, colocando o foco e próprio conflito na intersubjetividade dos personagens. Existem diversos argumentos e formas de se analisar mais seriamente, o que Eva estaria revolucionando, como se diferencia e ocupa um papel importante na mídiahttps://drive.google.com/file/d/0B8yHcPUOolf2dW9ESGx4eUlnb2M/view

Mas o vídeo no geral só responde a opiniões desinformadas sobre porque o anime não seria uma desconstrução por personagens não quererem pilotar (algo que qualquer pessoa que já viu gundam sabe) não acrescentando muito em termos de conceitos, e a própria discussão. Existe um argumento para se fazer quanto a clichês e elementos que EVA estaria criando muito mais produtivo do que falar eva criou o clichê do protagonista perdendo o controle no primeiro episódio (precisam explicar isso para o autor do manga de Devilman,ele estava copiando o Ano).

Ocorre também uma falha na interpretação sobre a importância do episódio 15 de EVA, que apesar de mencionado, não explicam porque ele é o paradigma e essencial para a série. De certa forma ele representa o momento de maior proximidade dos personagens. Depois dos 15 episódios anteriores, estes já ficaram mais familiarizados uns com os outros e se permitem seus momentos de maior contato. O shinji e o pai, a asuka e o Shinji, a Misato e o Kaji, todos eles estão na situação de maior proximidade, e contato. A partir desse ápice a serie vai para uma lenta quebra e destruição desses relacionamentos, enquanto os personagens mergulham em ciclos extremamente autodestrutivos e a dificuldade de relacionamentos é demonstrada com toda sua força, não coincidentemente as cenas da asuka e do Shinji em eoe, é um call-back para esse episódio.

Em relação ao uso de ideologia e debates filosóficos e sua aplicação em Evangelion, sinceramente eu acho essa parte absurda. O lobo sendo o lobo do homem é um debate sobre a natureza humana, e a necessidade do estado e estruturas de controle. A ideia da tabula rasa é um conceito epistemológico de Locke. Claro o existencialismo do Shinji e formação de conceitos por parte dele, ou a ideia de uma situação da instrumentalidade, e o fim das individualidades as pessoas não entraram mais em conflito, essas ideias estão presentes em Eva, e a obra pode te fazer pensar nesses conceitos (mais pq eles são bem abstratos e podem ser aplicados a tudo). Mas evangelion não é minimamente sobre nada disso, anno não está discutindo a origem do conhecimento, não está trazendo exemplos, aspectos desse conceito para debate. A história não é sobre como humanos precisam de um estado para conter seus conflitos e egos. Não há debate ou elaboração sobre essas ideias em nenhum momento. Claro vc pode pensar em Thomas Hobbes em qualquer obra trazendo conflitos interpessoais ou a individualidade, como requisito para conflitos entre as pessoas. Sim dá para se conectar qualquer conflito entre pessoas, ou delas com instituições estatais, com nossa, o homem realmente é o lobo do homem. Mas em nenhum momento vocês apresentam o porquê essa conexão seria particularmente tópica, relevante, ou evangelion está escolhendo e trabalhando com essa ideia em especifico. Qual o papel ou importância desse debate, além de como referência ideológica extremamente genérica, e que não importa para quase nada para entender EVA. Especialmente quando seu grande exemplo para isso é a ideia da humanidade transcendendo para se tornar um deus, entidade que reuniria todas as pessoas, e seria ausente de nossos erros e conflitos causadas por nossas percepções incompletas. Essa é novamente um conceito extremamente genérico, que baseia a maioria das ideias de religiosidade para diversas pessoas. Então não vejo como essa conexão permitiria falar dessas duas figuras, e correntes de pensamento. Em minha opinião o vídeo está jogando esses nomes e ideais e debates extremamente amplos da filosofia que no íntimo podem ser aplicados a qualquer coisa sem minimamente explicar a razão.

O fato de Eva lidar com a ideia de divindade e a união de seres humanos permitir a criação de um novo ser, transcendental o qual não contem os nossos defeitos, também é um link extremamente fraco para justificar o enorme simbolismo religioso na série, ou dizer que ele está justificado (o que não acho que seja o argumento, mas só quero acrescentar). Já que o debate é muito mais a ideia de religiosidade em si, do que qualquer enfoque judaico cristão, nem este ponto é particularmente bem elaborado tematicamente falando.

 Terminando só com um problema da visão incompleta (ou apresentação) da psicanalise e de sua importância em EVA. Sim vocês apresentam os sinais certos o pai é essa figura ameaçadora, esse estranho o qual rouba o afeto de sua mãe, e que os filhos usualmente antagonizam, junto com a ideia de culpa na criança relacionada a isso. Sim a mãe é constantemente associada com carinho e acolhimento (apesar de as vezes assumir uma figura ambígua), a primeira pessoa com quem a alguém interage, e a primeira que precisa se separar para assumir a própria identidade, existem muitas alusões em EVA a isso. Mas a conflitiva edípica do Shinji é mais complexa do que isso. Ao contrário do herói grego que deu origem ao conceito, ele não assassina seu pai e fica com sua mãe. Isso funciona em EVA como uma metáfora para o crescimento. Ao mesmo tempo em que ele é capaz de não dar vazão, agir para matar seu pai para possuir sua mãe, rejeitando a REI. Além da figura da própria mãe dele, ela é um símbolo vazio, uma boneca sem significado, a qual o Shinji pode dar qualquer aspecto ou papel. Sendo capaz de rejeitar ambas essas escolhas Shinji se torna alguém capaz de se assumir e se tornar uma pessoa no final. Por isso agradecendo e perdoando seu pai, e finalmente dando adeus a sua mãe, transformando a ideia do herói edípico, que a figura dele ecoa. Isso tirando a enorme importância e aplicação de sexualidade e morte no contexto serem os momentos de maior proximidade e afastamento respectivamente, e como esses são os 2 impulsos que levam os seres humanos a tomar atitude (seria extremamente importante falar sobre isso, nesse debate).

Mesmo esta não sendo uma péssima analise, acho há diversos pontos em que a compreensão do anime pode ser melhorada, e muitos pontos realmente questionáveis.

For Takver

Ancoms não são anarquistas.

  Marxistas e ancoms todos tem a pior ideia possível, de síntese entre a sociedade civil, e o estado. Tais não são estatistas em um sentido ...