quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Ancoms não são anarquistas.

 

Marxistas e ancoms todos tem a pior ideia possível, de síntese entre a sociedade civil, e o estado. Tais não são estatistas em um sentido tradicional, pois em principio querem abolir o estado?

Mas a questão é que a ideia deles é precisamente transformar a sociedade, em um estado, dissolver o mecanismo governamental, o método democrático, a escolha e poder da maioria por toda a sociedade. A proposta é literalmente criar uma nova arena de discussão e ação coletiva, a qual será responsável por absolutamente todos os assuntos.

Toda a sociedade, economia, e assuntos serão controlados, deliberados, e passaram a representar a gloriosa vontade geral, vindo a convergir em um único plano, e instituição.

O que significa a extinção da sociedade civil, da liberdades e direitos individuais, da autonomia e qualquer direito ou proteção que o indivíduo possa ter em relação ao coletivo.

Chamar essa falsa síntese, de anarquia é ridículo. Ela simplesmente significa transformar tudo em um governo, absolutamente todos em funcionários públicos e políticos, e com quase toda a esfera da liberdade e individualidade
humana, sujeitando tudo a concursos de popularidade

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Modernismo

  Como muitas pessoas tiveram problema com minha definição do marxismo, como modernismo cientificista elevado ao extremo, então deixe me explicar porque o marxismo representa principalmente as consequências ruins da modernidade, aplicadas da pior forma possível.

 

Um grande elemento da modernidade, sempre foi crença na ciência, a razão como elemento capaz de descrever o mundo, e que é capaz de formar um sistema coerente para o funcionamento de tudo. A ideia aqui é que é precisamente pelo conhecimento alcançado racional, e sistematicamente, que podemos libertar a humanidade de superstições, crenças absurdas e ideologias, que travam o desenvolvimento e bem-estar humano. Se tem um ideal mítico da razão, e ciência como algo capaz de controlar a natureza, e tornar o homem o senhor, e real agente que define seu destino.

 

Assim o modernista afirma que é possível, aplicar métodos e sistemas das ciências naturais as humanidades, e a complexidade de fenômenos humanos é reduzível a causas e consequências logicamente compreensíveis e expressas cientificamente. Mas além disso, essa ciência passa a ser a única forma de entender a realidade, e produzir conhecimento válida.

 

Um dos maiores aspectos do marxismo é precisamente levar essa lógica, e construção cientifica do modernismo as últimas consequências. Logo construções anteriores, como a defesa de liberdades, princípios, e espontaneidade humana, defendida por liberais são vistas como ideológicas, cientificamente suspeitas. Não cabem mãos invisíveis, aspectos não racionalmente determinados, e cientificamente analisados nas ciências sociais, a partir uma perspectiva marxista. O ser humano passa a ser interpretado de forma mecânica, que o reduz a aspectos cientificamente compreensíveis, e que seguem claras causalidades, e regras universais.

 

Assim não é uma surpresa quais são os métodos de real organização econômica, e estrutura da sociedade coerentemente defendidos por marxistas. Tais passam pelo mais completo planejamento e racionalização da economia e atividades humanas, rejeitando qualquer aspecto visto como tradição, ou ideológico, como as liberdades individuais, ou a propriedade privada. Maiores liberdades, o fim da superstição, um real controle e entendimento da natureza que passaria a servir os fins da humanidade, apenas podem ser alcançados pela mais completa aplicação do método e ideal cientifico, a organização da sociedade.

 

Agora eu fortemente me oponho tanto a perspectiva de ciência implícita nessa visão, assim como a ideia de buscar ordem, controle, real liberdade, e desenvolvimento humano a partir da aplicação da ciência, uma engenharia da sociedade. E acredito que as consequências desse programa, tem sido catastróficos para toda a humanidade durante o século 20.

 

Produção

  Um problema com a linha de argumentação que defende não o fim do mercado, mas o fim da propriedade privada dos meios de produção, é que tal posição não parece entender o significado do que eles estão propondo?

Mesmo supondo que um planejador central, dono de todos os meios de produção tivesse informação perfeita sobre as preferencias, avaliações de consumidores, o que pessoas querem que seja produzido. Nós precisamos que os desejos, necessidades dos consumidores se traduzam na formação do capital, que os produtores se voltem a essa demanda, e organizem a produção para isso.

Mas como é possível fazer isso sem a existência de um mercado? Como um planejador central, pode escolher entre todas as alternativas, e opções de produção possíveis e imagináveis, os meios economicamente validos, e eficientes, de produzir bens de consumidores? Como é possível quanto a todos os processos, possibilidades, e aspectos da produção possível, o organizador central chegar as conclusões, e escolhas que realmente servem as necessidades de consumidores? Como é possível limitar a escolha, e variáveis intermináveis dessa tarefa, para sequer avaliar os resultados, e ter noção do que você está fazendo?

O mercado é o mecanismo que transmite as avaliações, e demandas dos consumidores, por toda a economia e estrutura de produção. Por meio de milhares e milhares de produtores, planejando pequenos aspectos da tarefa, coordenando uns com os outros, e chegando a informação localizada sobre os processos. Acabamos com um sistema descentralizado facilmente adaptável, e de evolução continua, que responde de forma perfeita essa questão, e funciona de forma impecável na transmissão do conhecimento. Administradores e produtores tem acesso a toda a informação que precisam, para produzir e alcançar os resultados que desejam.

Substituir isso, por uma propriedade coletiva dos meios de produção, apresenta dificuldades insuperáveis, e problemas os quais eu mal consigo imaginar.


Classes

 Então, eu realmente odeio teoria de classes. E isso não porque existe algo errado em analisar relações de poder na sociedade, mas sim porque o exercício, e narrativa tradicional sobre luta de classes, hoje é particularmente indistinguível de uma teoria da conspiração.

O que eu realmente gostaria que pessoas levassem a sério, é que afirmações como o motor da história em todas as sociedades é a luta de classes, tais afirmações não são simples descrições, algo fático e obvio? Tais são uma racionalização, você está utilizando categorias, classificações mentalmente construídas, e as aplicando a absolutamente toda a história, e sociedades que existiram? De certa forma é a sua escolha, e categorias que você está aplicando, que criam seu objeto de estudo, sua história não é a história real, mas a de absolutamente todos os eventos, analisados sobre a lente dessas categorias. De certa forma a sociedade sua é uma construção social, habitada por todos, grupos estritamente determinados, com interesses e conflitos claros, entre a burguesia, e a classe trabalhadora.
O real problema nisso tudo é que eu não acredito que essa é realmente uma coerente narrativa para desenvolvimento histórico? Que não é possível mapear interesses econômicos escusos, ideias e defesa de classe, por trás de cada fenômeno? A história muitas vezes não segue e não parece se encaixar com absolutamente nada dessas categorias, e dinâmicas que os marxistas julgam definir tudo. E quando confrontados com evidencias em contrário, o marxismo prefere redefinir a realidade, contar com as racionalizações mais bizarras imagináveis, para explicar porque a teoria, e ideia de classes sociais é capaz de explicar tudo. O que é a razão para marxistas hoje praticarem mais teorias da conspiração, e loucura do que analises sérias de dinâmicas, e eventos históricos.

Marxismo

 Algo surpreendente, é que eu diria que marxistas estão sim corretos, em sua descrição das consequências, e de muitas características do que ocorreu na União Soviética após a revolução de 1917. Meu problema com a narrativas de marxistas ortodoxos sobre esses eventos é mais que eles esquecem de mencionar, muitas das causas do fracasso desse processo revolucionário, as quais constituem fortes objeções a muito desse projeto político?

Agora, marxistas acertam ao falar de dificuldades econômicas, e materiais do período, marcado por uma crise sem precedentes na Rússia, e também criticam de forma acertada, a burocratização, criação de hierarquias, e uma elite do partido, com enormes poderes, no período pos revolucionário. O que eles esquecem de explicar é porque essa elite surgiu, e porque tal grupo de burocratas e membros do partido ganharam tanto poder, assim como uma das causas preponderantes para o estado econômico do país.

Porque marxistas não querem tocar no fato que Lenin, e os revolucionários claramente estavam tentando destruir as instituições de mercado, planejar a economia, abolir moeda, circulação, e propriedade privada no país? As politicas de estado da Rússia passavam por literalmente inflacionar a moeda, para diminuir seu valor e utilidade. A nacionalização de toda a indústria, maiores empresas do país, a destruição dos bancos, e do regime bancário nacional. Uma tentativa de substituir mercados por planejamento, direção administrativa e coordenada diretamente por governantes, em todos os setores e esferas econômicas. Isso é o que Lenin tentou realizar logo após a revolução, com seu comunismo de guerra.

Então de onde surgiu a burocracia, nova elite do partido com enormes poderes e controle sobre a classe trabalhadora? Ela é diretamente um resultado desse planejamento, a consequência logica de tentar destruir as instituições de mercado, e a substituir por uma economia de controle, e poder administrativo. Com o fim de mercados, e do sistema de preços, foram burocratas, políticos e administradores públicos que passaram a ocupar o poder, tomar decisões de produção, criar o plano, instituições e características de toda a produção. Planejamento da economia necessariamente significa essa centralização, controle econômico de uma minoria de responsáveis pelo plano, e por todas as decisões que toda a sociedade tem que seguir. E tal só pode ser mantida por meio da burocracia, utilização de coerção sobre o indivíduo, e criar uma conformidade de todos, a um único plano e projeto que supostamente representa a vontade geral.

Porque durante os anos seguintes a revolução, miséria, crise econômica crônica, e destruição social foram as regras na União Soviética? Essa falta de coordenação, qualquer organização racional produtiva não é o resultado das guerras, nem mesmo da guerra civil pela qual o país passava pelo período. Mas sim a literal consequência de uma politica de governo que buscava abertamente destruir todos os aspectos do sistema de mercado, sob o qual todos os países do mundo funcionam. Lucro, moeda, o sistema bancário, as empresas, firmas, toda a ordem de concorrência, e sistema de mercados eram o que os revolucionários queriam destruir. Logo a politica do país literalmente atuava, para minar e subverter as bases pela qual mercados funcionavam, vendo nisso um passo necessário para a destruição do capitalismo.

Esse fenômeno, a estatização de toda a indústria, o fim do sistema bancário, literais medidas que queriam usar inflação não como mecanismo de financiamento do governo, mas para destruir o valor da moeda, e sua utilização. Na realidade tais medidas foram economicamente até mais destrutivas que a primeira guerra, e a guerra civil, algo que marxistas adoram ignorar. A maior prova que essa foi a causa para a crise econômica da União Soviética, é que o próprio Lenin reconheceu que tais medidas eram insustentáveis, e as reverteu por meio da Nova Econômica Política, e admitiu que tal período foi marcado por um fracasso de políticas para a transição ao socialismo. Por sinal o insucesso foi tamanho, que muitas dessas medidas nunca mais foram tentadas nem por ditadores como Stalin, no auge de seu poder.

Enfim, meu ponto é que tanto burocracia, hierarquias, e uma nova elite dirigente, quanto o colapso econômico são consequências logicas do projeto politico marxista. E que uma real economia participatória, com real escolha dos trabalhadores e prosperidade econômica dificilmente pode resultar das ideias de planejamento que muitos socialistas advogam.

 


Liberalismo social

 O caso contra o liberalismo neoclássico.

O liberalismo neoclássico é provavelmente uma das áreas conceitualmente mais interessantes do movimento liberal. Tal consiste em uma tentativa de fundir o liberalismo clássico, do século 19, com sua variante, o liberalismo igualitário moderno, tentando apresentar uma defesa tanto de liberdades econômicas, propriedade privada, e direitos individuais, que liberais clássicos enfatizam, quanto da justiça social e liberdades positivas, que são importantes para liberais igualitaristas.
É definitivamente um projeto interessante, o de demonstrar como liberdades econômicas são na verdade uma questão de enorme importância, para a realização de justiça social. Mas eu acredito que existe um problema fundamental nessa forma de enxergar as pautas do movimento liberal? Pois a partir dela os princípios do liberalismo se encontram em conflito? Existem enormes diferenças e conflitos entre os dois princípios, logo a justiça social termina por moderar a liberdade econômica, e a liberdade econômica termina por moderar a justiça social.
Eu acredito que essa é uma apresentação é um problema por duas questões? Primeiro por promover a noção fundamentalmente errada, que as desigualdades, dificuldades para realização de justiça social, o domínio de elites e classes, é um resultado de liberdades econômicas não reguladas, ou moderadas? Quando ao se olhar a história se enxerga precisamente o contrário. O livre mercado é o grande mecanismo que possibilita a justiça social, a melhora da qualidade de vida, e condições de absolutamente todos. Já governos são a instituição da defesa do privilegio, das elites, de grupos de interesse e pessoas mais organizadas em detrimento de toda a sociedade. Se existe algo em enorme medida conflitando com causas, e princípios da justiça social, isso com certeza não é o livre mercado. Mas sim um enorme grupo de intervenções e distorções governamentais, que hoje são a regra das sociedades no mundo todo.
O outro problema é acreditar que é possível a existência de uma organização, capaz de regular mercados, restringir direitos, e organizar toda a sociedade de modo a atingir os princípios da justiça social? Os resultados de governos, e do liberalismo igualitário nessa linha tem sido decepcionante para dizer o mínimo. Governos enormes que interferem em toda a sociedade são a norma hoje, no entanto não estamos minimamente próximos de realizar quase nada da pauta de igualdade substancial, ou justiça social.
Eu concordo com os neoclássicos que enormes desigualdades importam, que a justiça social, melhores condições de vida, e a situações dos mais pobres, tais são pautas e questões essenciais para o movimento social. Mas minha resposta para esses problemas é defender de forma absoluta, não moderada ou restringida, livres mercados, o combate e diminuição do estado. Pois eu vejo na liberdade o real combate a privilégios, o destruidor de desigualdades, aquilo capaz de nos tornar mais prósperos, e iguais de uma forma substancial. Logo mantenho minha defesa absolutista do livre mercado.

Tecnocracia

 

Contra a tecnocracia.

Então, tecnocracia, o governo dos técnicos e especialistas. Eu acredito que é uma péssima ideia, deixar a administração da sociedade, a tomada de decisões nas mãos de um pequeno grupo dos superinteligentes e bem informados cientistas. Com certeza a ideia encontra enorme apelo, e traz a noção que tal é a única forma de organização realmente cientifica, e racional da sociedade. Afinal qual é o problema, em deixar os experts, donos do maior conhecimento e informação, escolherem aquilo que funciona, e traz benefícios para todos?

A real falha nessa perspectiva é que ela não entende o real caráter, e natureza do processo cientifico, e como tal alcança aquilo mais próximo a verdade. Porque ciência não é o conteúdo, ou objeto de apenas um pequeno grupo de especialistas, os quais contém todo o conhecimento, e respostas para as maiores discussões? Mas a ciência principalmente evolui por meio de um processo, ela é um método discursivo, e participatorio de uma comunidade.

Discussões, problemas, e hipóteses apenas são estabelecidas por meio de discussão, debate amplo, e formação de consenso, por parte de toda uma comunidade, e grupo enorme de praticantes de um determinado ramo. Teorias, testes da verdade, e respostas cientificas, apenas ganham sentido, e valor caso estejam integrados nesse processo.

Logo os problemas de se almejar um governo de especialistas, vem de duas formas. O primeiro problema é que os técnicos, e cientistas que comandarem planejamento de toda a sociedade, tem acesso a muito menos conhecimento, e saber, que aquele acessado, e debatido por toda a comunidade cientifica. A organização cientifica da sociedade, será limitada ao conhecimento daqueles que participarem, e diretamente elaborarem o plano.

A segunda questão, é que as decisões dos tecnocratas, ao administrarem a sociedade, necessariamente são algo que se encontra fora do processo pelo qual conhecimento cientifico valido é produzido. Isso é, tal não segue o processo de livre discussão de ideias, abertura a questionamento, debate, possibilidade de discutir e contestar qualquer coisa. O tecnocrata literalmente não pode acertar cientificamente, pois ele não está sujeito a qualquer consenso, ou método para se alcançar a verdade. Ele é literalmente o planejador central, o qual pode forçar suas decisões, independentemente da participação, vontade, ou discussão dos outros.

Tecnocracia, e o governo dos experts não fracassaram por ideologia, ou por erros específicos de alguns planejadores, e administradores. Mas sim porque tais representam uma visão errada sobre conhecimento, ciência, e a realidade.

 

China

 Então, os fracassos do regime soviético, e das tentativas de transição ao socialismo trouxeram algumas críticas e perspectivas novas ao projeto do movimento socialista, de realizar planejamento econômico. Duas alternativas, ao sistema de planejamento central por meio do estado, que os soviéticos principalmente realizaram, apresentam questões teóricas interessantes.

A primeira parte da linha que o problema em previas tentativas de planejamento central, estaria em seu caráter centralizante. É impossível planejar uma economia em escalas nacionais, como a União Sovietica, em razão da inerente complexidade e problemas de conhecimento que planejadores encontraram nessa tarefa. No entanto é possível realizar um planejamento local, descentralizado, sobre toda a economia a partir de pequenas comunidades e grupos. O aspecto localizado e descentralismo dessa forma de organização permitiria melhor acesso a informação, e conhecimento por parte de planejadores locais.
Já a segunda critica principalmente aponta para o caráter hierárquico, e não participativo das formas de planejamento e organização econômico, em países socialistas. Os exemplos de planejamento principalmente falharam, pois foram planos efetuados de cima para baixo, por um pequeno grupo de elites, e planejadores, os quais ignoraram completamente as demandas e necessidades da sociedade e dos trabalhadores ao organizar a economia. Logo a base para conseguir uma forma de planejamento funcional, capaz de organizar a economia, é que o plano seja realizado em conjunto por toda a sociedade, por meio do mais amplo diálogo, discussão e escolha democratica sobre suas características. E esse processo de dialogo seria capaz de gerar o conhecimento, e informação, para um novo método de organização e coordenação econômica.
Agora, eu sou um forte apoiador de descentralismo, participação da população e dos envolvidos em decisões econômicas, e eu acredito que essas críticas levantam pontos importantes sobre planejamento econômico. Mas eu ainda não acredito que a alternativa descentralista, ou a ênfase em participação resolvam os reais problemas de cálculo econômico e utilização da informação.
Porque tais alternativas ainda partem da proposta de planejamento compreensivo, e completo da organização econômica. Ou seja, tais envolvem a abolição de mercados, do sistema de preços, do uso de moeda, e da propriedade como mecanismos de coordenação. Tais desejam seja de forma descentralizada ou não, abolir a anarquia da produção capitalista, por sistemas realmente deliberados, racionais e conscientemente escolhidos por comunidades, de produção e economia.
E isso é completamente impossível. Coordenação, e atuação econômica depende da produção de tipos específicos de informação. De preços que realmente sinalizam a oferta e demanda de produtos e serviços para todos os agentes econômicos. Não importa qual seja o sistema econômico, você ainda precisa de um sistema capaz capturar, e transmitir as valorações e fins de todos os consumidores em relação a produtos e serviços. E você precisa de um mercado sobre meios de produção, para que as valorações de consumidores sejam expressas na estrutura do capital.
Preços, moeda, e mecanismos de mercado, exercem uma função insubstituível de transmissão de informação, os quais são os grandes indicadores que todo produtor utiliza, para escolher modos de produção eficientes, entre todas as alternativas tecnológicas, e técnicas.
Muito desse conhecimento literalmente não pode ser expresso em planos, ou mecanismos racionais para ordenação econômica, uma vez que tal se encontra de forma disperso por toda a economia, e é um conhecimento tácito, o qual absolutamente nenhum agente, ou participante da econômica tem acesso? Absolutamente ninguém tem o conhecimento de questões, e aspectos fundamentais para o funcionamento e alocação econômica da sociedade, logo como é possível deliberar, planejar e expressar tais pontos em um plano.
No fim ambas as alternativas de planejamento falham por não compreender funções e aspectos insubstituíveis de mercados. Como eles são não apenas um mecanismo descentralizado de coordenação economia, mas um grande produtor e transmissão do conhecimento, que uma economia precisa. Mercados também funcionam em uma base de diálogo, escolha e manifestação dos envolvidos sobre questões econômicas, os quais absolutamente nenhum planejamento pode recriar.

Lucro

 Mesmo que você acredite que lucro não serve nenhuma função social, ou informacional na produção, e é um roubo que capitalistas extraem dos trabalhadores.

Imagina achar que ter o estado gerindo todas as empresas não imporia um custo e prejuízos de ineficiência absurdamente superiores aos lucros quanto a todos os setores, e renda de trabalhadores.

Custos

 Governos não entendem que publicar os custos, e manter absurdos registros e intermináveis agencias, isso não serve para fiscalizar ou controlar absolutamente nada do gasto de dinheiro publico.

O que mantem a honestidade, e confiança nos custos, e retornos de empresas privadas, é que elas sofrem ameaças de prejuízo, e estão o tempo todo buscando o lucro, e retorno para seus investimentos.
Uma empresa privada pode mentir em um registro o quanto quiser, mas a necessidade do lucro, e a ameaça de falência é algo inescapável, e grande padrão pela qual empresas privadas são avaliadas.
E é exatamente essa avaliação que sujeita empresas a um controle, e dever de honestidade, e retorno para investidores, que empresas publicas não podem replicar.

Contrato social

 Pessoas adoram zoar a ideia do contrato social, mas eu acredito que esse conceito mostra o maior avanço, e a real contradição do liberalismo.

A ideia de que a única forma justificada de governo é um contrato, um ato de vontade e expressão de desejo dos cidadãos, representa um enorme avanço em relação aos governos justificados divinamente, ou por hierarquias naturais anteriormente.
Mas o real defeito nessa definição, vem do fato que o contrato social não realmente é um contrato, e tal por sua própria natureza não pode permitir, ou dar liberdade para sua própria revogação ou mudança pelos indivíduos.

Calculo economico

 A melhor resposta dos comunistas ao problema do calculo econômico, é admitir sua validade, e buscar mudar profundamente a natureza da economia.

Se você simplificar a economia, sistema de produção e distribuição a um nível absurdo, e desistir de ter um sociedade industrial tecnologicamente avançada, é possível realizar planificação, e organização econômica deliberada.
A solução para o problema da complexidade, fluxos de informação, e tecnologias, que apenas podem ser processados por meio de mercados e cadeias complexas, é abandonar tudo isso.
Ou seja uma sociedade comunista seria um fazendão comunitário, com complexidade econômica e tecnologias de épocas remotas, e com pouquíssimo potencial e capacidade de desenvolvimento.
Se essa é sua ideia de liberdade eu admito que ela é completamente possível e realizável, eu só considero isso tudo um pavor.

Descentralismo socialista

 Eu sempre encontro uma contradição insuperável na tradição socialista, entre a ideia de planificação, uma única organização capaz de organizar e planejar toda a economia, com o ideal profundamente democrático, e descentralista de participação popular e dialogo. O problema é precisamente pensar como esse único plano que iria coordenar e organizar todas as decisões de produção e economia, pode ao mesmo tempo manter um caráter descentralista, que permita real participação da população, um diálogo e formação de consenso.

A ideia do único plano, a abolição de concorrência e divisão, e o surgimento de uma única arena de decisão coletiva, aponta para um caráter altamente centralista e autoritário. Já a esquerda jura que esse plano teria um caráter democrático, e traria enorme possibilidade de escolha.
A enorme maioria das tentativas de resolver essa tensão são absurdas, como a ideia que a democracia seria limitada a eleger representantes, e um grupo de tecnocratas os quais elaborariam um plano e organizariam toda a economia. Isso é, criar uma ditadura de técnicos muito mais autoritária que qualquer regime histórico, cujo único caráter popular seria representativo. Ou a brilhante ideia de decidir por democracia direta e intermináveis assembleias, todos os assuntos e plano econômico. Ou seja, decidir tudo por votos de popularidade, e os métodos mais ineficazes e lentos imagináveis.
O fracasso do socialismo real em enorme medida expressa essa tensão, e incapacidade de expressar essa grande participação popular, e democracia, por meio de planos e planejamento econômico.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Calculo economico revisitado.

Entre os comunistas, e pessoal de esquerda, tais afirmam de forma constante que o desafio levantado por Mises, e Hayek em relação a abolição da propriedade privada quanto aos meios de produção, tais argumentos quanto a impossibilidade do comunismo já foram há muito superados. Agora eu vejo poucas pessoas realmente entendendo qual é o real problema, com propriedade comunal sobre os meios de produção, logo queria esclarecer o assunto.




No fundo a preocupação de Mises e Hayek é com a utilização da informação, como um sistema complexo como a economia pode utilizar inteligência e informações muito superiores a de qualquer agente envolvido nesse processo. O uso descentralizado do conhecimento por indivíduos em uma economia de mercado, é uma absoluta necessidade, pois uma sociedade tecnologicamente complexa como a atual apresenta uma complexidade sistêmica, muito superior as capacidades de compreensão, e inteligência individual humana.

 

Então o argumento básico é que o sistema de preços, e a propriedade privada, são as instituições que permitem o uso do conhecimento disperso, e descentralizado por toda a sociedade pelos indivíduos. Por meio dele agentes podem se guiar em suas escolhas, e ações individuais pelas valorações, operações, e informação sendo transmitida por todos os outros agentes, e indivíduos envolvidos nesse sistema. Logo o sistema de preços tem por sua principal função, não a realização de contabilidade, ou promover incentivos para o trabalho. Mas sim tal é o mecanismo de transmissão das informações fáticas, e sistêmicas, que guiam e auxiliam cada agente em sua tomada de decisões, e ações.


Agora o sistema de preços não é o único mecanismo pelo qual informações descentralizadas, e dispersas pela sociedade são acessadas por indivíduos. Tradições e costumes servem um papel similar, por meio delas indivíduos encontram guias de ação, e práticas que se encontram baseadas em informação, e conhecimento descentralizada construído por centenas de anos, os quais os auxiliam na tomada de decisões, e que guiam ação individual. Uma instituição como a família não é um mecanismo deliberado, e racionalmente construído por um indivíduo. Mas sim uma construção milenar de milhares de anos, de conhecimentos e práticas, que guia indivíduos em suas ações e condutas.

 

Logo o que eu gostaria de perguntar é: O que pode substituir o sistema de preços, como mecanismo capaz de transmitir a informação, julgamentos e operações de toda a sociedade? Qual o mecanismo de transmissão, e uso descentralizado de informação que comunistas defendem para alcançar qualquer racionalidade, e complexidade em seu sistema econômico?

 

Eu realmente nunca encontrei nenhuma resposta satisfatória nesse sentido. Nenhuma das alternativas apresentadas como tradição, ou planejamento central chegam perto do nível de inteligência para cumprir esse papel. 

Contra Políticas Públicas baseadas em evidências.

Vamos lá, pois todo mundo gosta de começar a discussão e crítica que eu fiz sobre políticas públicas baseadas em evidencias, distorcendo o que eu sou contra. Primeiro pois essa não é uma crítica a evidencias em si. É obvio que pessoas devem tentar saber, ter acesso aos melhores dados estatísticos, modelos e previsões sobre o impacto de políticas públicas. Esse não é o questionamento que absolutamente ninguém está fazendo.



Todo mundo também adora começar formulando o conceito de políticas públicas baseadas em evidencia, de uma forma que busca responder o que eu estou criticando em parte. Pois a própria questão é que as evidencias, dados e preocupações empíricas, estariam expulsando a discussão política valores e fins que agentes deveriam escolher da discussão sobre políticas públicas. Meu ponto é que a ciência, ou evidencias não tem muito a dizer sobre a escolha de fins, valores éticos, visão de sociedade, e fins que uma pessoa aplicando politicas publicas escolhe e decide aplicar em uma sociedade. O máximo que ramos como evidencias, e a economia podem demonstrar, é como certos meios, e medidas funcionam na pratica, como meios para alcançar esses fins.

Por exemplo um comunista que vê no mercado necessária alienação, e exploração da classe trabalhadora. Explicar para ele os resultados que extinguir relações de mercado trazem para a sociedade como um todo é um não argumento para responder as políticas públicas, e medidas que ele deseja aplicar. Pois aqui temos uma controvérsia sobre os fins, valores que desejamos alcançar com uma determinada medida, não uma controvérsia sobre fatos, e efeitos de políticas públicas. O pessoal baseado em evidencias em enorme medida tende a evitar discussões sobre fins, visões de mundo e princípios que agentes escolhem, como assuntos dogmáticos, os quais não merecem discussão, matéria irracional a qual não é um objeto próprio da política. Essa é a primeira crítica.

Outro ponto de absoluta importância é compreender como as evidencias, e descobertas empíricas não são a realidade. Tais são um método de estudo, forma de olhar eventos, e o que está acontecendo sobre uma determinada perspectiva. Todo cientista ao analisar um evento tem uma perspectiva, interpretação, recorte do real e dos dados, que está tentando apresentar. Nenhum estudo ou evidencias analisam o todo, ou apresentam todas as perspectivas e interpretações possíveis sobre um fenômeno.

Agora o pessoal baseado em evidencias, realiza uma transmutação particularmente interessante, quando se argumenta sobre evidencias, certos estudos e teorias. Pois teorias, evidencias estudos estatísticos e fatos deixam de ser um argumento, parte de uma hipótese e elaboração cientifica, passível de questionamento e duvida e que deve ser interpretada como a resposta de apenas um ramo e área de estudo limitada para o assunto. Tais evidencias, hipóteses e fatos levantados em pesquisa se tornam a realidade, única e inegável verdade sobre os eventos. Logo ao se questionar tais coisas, duvidar de conclusões, pressupostos e pesquisas você se torna um negacionista, não um cético que racionalmente tem dúvidas sobre tal perspectiva, uma visão e pressupostos diferentes para olhar um problema. Negar que as evidencias da política pública são argumentos, interpretações e hipóteses, as quais as precisam ter sua validade comprovada não presumida é um erro comum de nossos especialistas baseados em evidencias.

Basicamente o real problema do pessoal baseado em evidencias é como tais querem limitar discussões, questionamentos a uma discussão de um grupo de especialistas, excluindo demais considerações áreas de estudo e conhecimento humano como irracionais questões que não devem ser discutidas. Tal é um projeto geral aonde certas produções e elaborações são reconhecidas como cientificas e validas, já as demais são não argumentos e não devem ser admitidas. Pelo menos é assim que eu enxergo toda essa questão e crítico.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Conservadores e fascistas 2

 



Então eu recebi uma resposta de um ótimo artigo denominado “os conservadores são nazifascistas, pequeno erro, grande resposta”. Apesar de uma intrigante analise sobre alguns fundamentos do conservadorismo, o texto falha em atacar muitos dos pontos que levantei em texto anterior, e não compreendi a fundo, os argumentos da crítica ao conservadorismo que busca responder.

A primeira parte que eu sempre questiono em discussão com a enorme maioria dos conservadores, é a definição, e ideia que relacionam a esse termo. Porque dizer que conservadorismo é uma atitude, forma de ver ou mundo, conservar o que é bom, ou aquilo considerado positivo, é uma distinção que não te permite avançar nem minimamente andar no diálogo. Você está postulando e iniciando um debate a partir da base mais extensa, e possível de ser aplicado a tudo possível. Sim ninguém literalmente se opõe a tentativa de conservar o que dá certo, e funciona na sociedade. Manter tais coisas é quase um consenso que qualquer pessoa racional concorda. Se essa básica definição do conservadorismo como visão geral de mundo for universalizada (que eu acredito ser a ideia), tal não serve para informar, ou distinguir absolutamente nada na política.

O texto também ataca a visão de conservadorismo como imobilismo, famosamente apresentada por Hayek sem entender o real argumento, e razão para pessoas acusarem o conservadorismo de ser unicamente baseado em medo do passado. É inegável que o conservadorismo mudou desde a época de Burke, em cada local ou contexto nos quais uma visão conservadora foi compreendida e interpretada, esta assumiu características diferentes. Mas tais mudanças aconteceram apesar, e de forma contraria ao que os conservadores em cada época defendiam.

O que desejo expressar por isso, é que conservadores se dispõem a sempre defender os valores do presente, ou de 10, ou 20 anos atrás. No entanto atualmente eles sempre atuam para conter o progresso, novidade, os mesmos mecanismos de atuação espontânea, e sem coerção que criaram os próprios costumes, e práticas que o conservador admira.

O imobilismo conservador, não significa como descrito no texto, simplesmente defender os mesmos valores para sempre. Mas sim é marcado por um imobilismo relativo, pois o progresso, forças capazes de causa mudança, e novos rumos hoje são atacadas e recusadas por conservadores. Tais atuam literalmente para manter a sociedade com a imagem, forma, e valores do hoje.

O texto de Lucas Macedo também tem o habito ruim de equacionar filosofia política, com sua pratica, que era o foco do meu artigo. Sim, conservadores no campo teórico se colocam como expressamente como antipopulistas, e eu nunca descreveria o contrário. Agora o que marcou a participação de partidos, e movimentos conservadores na política, sempre foi um imenso populismo, apelo as massas, sentimentos e necessidades mais básicas da população para governar.

Essa caracterização não é exclusiva do conservadorismo aqui, mas a distinção é importante. O ponto em meu texto original busca literalmente demonstrar que o populismo consistiu de uma inovação dentro do movimento conservador em sua manifestação política. Com o crescimento de regimes democráticos, se tornou também necessário a conservadores incluir as massas, sentimentos da população no geral, em uma estratégia de poder. A defesa de direitos sociais em tese contraria ao ideário conservador, também serviu a mesma função conforme estabeleci em meu texto original

A relação que eu fiz do conservadorismo com a retorica e atitude populista é intencional, e deliberada, e pelo menos para mim descreve muito bem a atuação desse grupo na política. Ou pelo menos é que eu vejo, quando os grandes líderes do ocidente contemporâneo são Donald Trump, e Jair Bolsonaro. Grandes exemplos da prudência do movimento.

O argumento para um maior individualismo, valorização da liberdade, e algo extremamente contrário ao moralismo na tradição conservadora, é formulado de forma bizarra no texto. Utilizando como referencias indivíduos como Burke que literalmente formularam suas ideias, exatamente pelos efeitos anti individualistas, e comunitaristas de muito do que ele advogou.

Laissez faire foi pensado na tradição conservadora, exatamente pois era o mecanismo que possibilitava a manutenção da moral, capaz de manter hierarquias, tradições, e costumes da sociedade. Burke era um literal defensor de uma forma organicista de se enxergar a sociedade, aonde ao grupo era possível impor valores, religião, e sexualidade, independente da vontade dos indivíduos.
A diferença fundamental a qual eu estou estabelecendo usando Burke como exemplo, é que ele buscava fins coletivistas, mas achava que liberdade, livre comercio consistiam de meios melhores para a sociedade alcançar tais fins de manutenção moral, e de hierarquias. Eu não conheço nenhum autor dessa tradição conservadora individualista, que considera que os principais problemas e soluções da sociedade são questões individuais. Os pensadores citados principalmente concordam na utilização de meios individualistas para fins coletivistas, e a opinião de tais sobre a moral como possibilidade de criar direitos, e coerção sobre indivíduos é algo confuso. Logo esse texto não apresenta um argumento particularmente bom nesse ponto.

Eu tenho outros problemas com esse texto, mas no geral são esses os meus raciocínios. Tal utiliza uma definição super genérica, e que não avança o diálogo sobre o conservadorismo, mas ao mesmo tempo deseja excluir diversos grupos, e pessoas de serem consideradas conservadora, ou que lhes seja aplicado o termo. Também apresenta as versões mais fracas possíveis de argumentos, e críticas contra o conservadorismo comumente citadas. E o texto para mim representa mais um exemplo de conservadores querendo jogar fora não associar quase nada da experiência histórica, políticos e movimentos sociais que se identificaram, e definiram como conservadores, durante o tempo. Não sei se é coincidência o fato dessa estratégia ser a pratica usual dos socialistas.

(Desculpe pela pouca organização, e clareza do raciocínio)

Link: https://www.osconservadores.com/post/conservadores-s%C3%A3o-nazifascistas-grande-erro-pequena-resposta

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Pela abolição das forças armadas





Um dos maiores problemas que o Brasil enfrenta hoje é uma ilusão coletiva sobre o exército como instituição. Assim ele seria formado por super honestos e competentes indivíduos que realmente precisam dirigir a nação. Droga nos literalmente temos diversos ministros comandados por militares, pois segundo as palavras de nosso grande ex coronel presidente, ordem dada é ordem cumprida, a um militar.

Essa forma de entender o exército precisa ser combatida de todas as formas possíveis. Primeiro que nunca existiu um grupo, ou forma de organização mais ilógica, e absurda que a das forças armadas. Tudo nos meios militares gira ao redor de planejamento central, status e ordem. Seu lugar em um exército é dado por onde você se coloca numa hierarquia, quantos homens você pode comandar. Patentes são rankings que reconhecem sua possibilidade de mandar nos outros. Logo seu mérito é medido pelo número de pessoas que você pode sair comandando em relação a absolutamente tudo. (Forças armadas sempre foram a coisa mais antiliberal do universo)

Note que o exército se organiza exclusivamente como organização centralmente planejada, e comandada por seus líderes. Ordens são absolutas, personalidade, individualidade, ou até desejos de cada um dos integrantes, nada disso importa. A ordem tem que ser imposta de cima para baixo, agindo de forma coercitiva para com todos que estão na organização. Não coincidentemente o exército lembra muito em sua estrutura um estado totalitário. Os focos nas ordens, centralidade dos comandos, e na autoridade dos líderes é o mesmo. Não é à toa que apesar de deficiências crônicas em outros ramos, países totalitários sempre conseguiram organizar forças armadas poderosas. Tais países simplesmente funcionam sobre as bases que são o normal de um exército.

Então nós temos essa estrutura de organização totalmente ilógica, contraria a individualidade, e espontaneidade das pessoas. E nós supostamente acreditamos que essas pessoas sempre acostumados a subordinação, e seguir ordens sem questionar vão nos proteger?

Não existe uma ameaça maior a democracia em qualquer país do que a apresentada por suas próprias forças armadas. Em 1964 não foi para nos proteger de absolutamente nada que o exército brasileiro derrubou a república que havia até então. Foi literalmente feito um golpe de estado para tomar o poder. Se for olhar durante toda a história, a única coisa que permite a manutenção e permanência de projetos de poder totalitários são as forças armadas.
Observem como o glorioso exército venezuelano protege seus cidadãos, mantendo com o uso da força a ditadura de Maduro, ou o exército da Coreia do Norte apoia com unhas e dentes Kim Jong Un. Não se encontra na história uma instituição que tenha feito tanto para reprimir, e afastar o povo do governo quanto o exército. Sinceramente se estes generais e militares são nossa proteção, minha maior preocupação é literalmente: Quem diabos me protege da droga desses militares?

No contexto atual se faz desesperadamente necessário repensar o papel de forças armadas em uma democracia. Nós realmente precisamos de centenas de milhares de pessoas armadas, para nos defender da ameaça inexistente dos argentinos na fronteira, ou dos grandes paraguaios? Quais são esses conflitos e questões importantes que o exército está fazendo que auxiliam o Brasil em seu desenvolvimento?

Porquê da forma como eu compreendo, a única coisa que os militares na atualidade representam são centenas de milhares de armas, e pessoas ociosas. E a qualquer momento tais podem decidir que não querem mais brincar de democracia, instituindo uma nova ordem na base da bala. E peça a Deus para fazer algo nessa situação, já que imagino que apenas ele poderia te proteger de tais pessoas, e máquina de guerra.

(Eu meio que só estou escrevendo isso, porque semana sim, semana não esses caras ameaçam dar um golpe )

sábado, 10 de outubro de 2020

Ciro Gomes era a melhor opção em 2018?



Em face do desastre do governo Bolsonaro, tem sido uma atitude até bastante comum entre liberais, olhar um governo Ciro Gomes como alternativa preferível, melhor escolha em 2018, ou possivelmente até para novas eleições. Eu sou extremamente cético em relação a essa possibilidade, por razões que tentarei detalhar.

Primeiro existe a questão das óbvias propostas populistas, e sem nenhuma chance de serem colocadas em prática, que o Cirão constantemente defendia. Imaginar que era possível zerar em meio à péssima a situação fiscal da união, os cadastros de restrição de crédito do Brasil todo, é o tipo de ideia pela qual a esquerda é constantemente acusada de terraplanismo econômico. Sim, o estado brasileiro com déficits bilionários, serviços públicos, e situação de contas públicas calamitosas, tinha o dinheiro sim, para investir em um mega programa de financiamento para pessoas físicas. Esse é o típico almoço grátis, grande estímulo ao consumo, endividamento e gastos pessoais, que são clássicos exemplos de um modelo econômico falido.

Bom tirando a brilhante ideia de jogar a austeridade econômica para o escanteio (estamos falando do candidato que mais adorava falar mal da pec do teto de gastos), existem problemas até maiores na visão econômica do Ciro Gomes. Sua visão e defesa do nacional desenvolvimentismo é outro ponto prevalente da retórica política do Cirão. Ou seja, voltar a mesma a formulação fracassada de substituição de importações, e ideias de desenvolvimento do Celso Furtado, que dessa vez sim dariam certo. Tais já eram uma má ideia nos anos 60, pela mesma razão que criar uma barreira tarifária, forçar os consumidores de um local a pagar mais caro por um determinado produto é uma má ideia. Se taxar importações trouxesse esses grandes resultados, talvez estados e municípios devessem erguer barreiras de importação. Logo terão desenvolvimento e indústrias locais de altíssima qualidade nessa lógica. Agora numa economia extremamente globalizada como a atual, aonde as vantagens comparativas dominam, e os fluxos de capital são internacionais, esse discurso é um absurdo. A volta do nacional desenvolvimentismo representa a volta das políticas que deixaram o Brasil pobre, e geraram crescimento baixo, e estagnação por décadas. Então não, a imaginada balança de pagamentos, entre exportações e importações não representa a falência do Brasil. E impedir nossos consumidores, e produtores de buscarem as maiores vantagens, e benefícios no mercado exterior é uma péssima ideia.

Um ponto interessante nos programas de governo do Ciro Gomes, é como tal não critica a questão de investimentos público, controle de preços, ações de estatais, e muitos políticas localizadas. Este apenas diz que as atuações do estado em governos anteriores como o Dilma, foram feitas a partir de bases erradas. Mas ele vai trazer qualificação, critérios técnicos para permitir aos administradores planejarem, e fazerem exatamente as atuações certas na economia.

As propostas do Ciro lembram muito a figura do estado gerencial, uma tecnocracia altamente especializada gerindo a economia, e levando aos resultados certos. Nisso a influência de Kenneth Galbraith é particularmente perceptível. Ciro é o homem criticando, falando dos imensos excessos, e resultados catastróficos, que ocorrem quando se deixa a atividade econômica nas mãos de indivíduos. Ao mesmo tempo que defende como os técnicos, e economistas em Brasília devem atuar, como os grandes gerentes da economia nacional. Nós precisamos de nossos grandes políticos e burocratas guindo a atividade econômica, se não ninguém sabe os terríveis abusos, ineficiências e práticas que empresas atuando seguindo o próprio interesse podem trazer. Ou seja, ele expressa uma crença genial, aonde o que realmente precisamos é dar mais poder para os brilhantes economistas e técnicos em Brasília.

Existem muitos pontos que tornam Ciro Gomes uma escolha completamente inaceitável conforme ideias liberais. Droga ele já argumentou contra programas de metas de inflação, e independência do banco central, tentando levar o Brasil para a década de 60, em termos de política monetária. Eu não quero aqui retratá-lo como a pior escolha do universo, nem discutir se ele seria capaz de pôr em prática muitas de suas promessas. No entanto não são nem superficiais, nem irrelevantes os pontos em que um projeto de governo Ciro Gomes deve ser combatido, pois mistura muitas das piores práticas e ideias da esquerda de 50 anos atrás. E eu espero que o Brasil realmente possa fazer melhor que isso.

( Reação natural do Ciro, quando perguntam fontes, ou as bases de suas afirmações









sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Conservadores e fascistas.

 

Então, eu sou forçado de novo a discutir a relação do fascismo com o conservadorismo: https://www.facebook.com/arroyopostagem/photos/a.112355530567848/112379940565407/, https://www.facebook.com/photo?fbid=3029709240442089&set=a.553389238074114.
Apesar dessa não ser a discussão que eu gostaria de ter com os libertários, já que eu tenho muito mais problemas, com a associação do livre mercado, o instrumento que trouxe maior progresso, e transformação para a humanidade, com um suposto conservadorismo assim como com a pauta cultural, e coletivismo da direita, que é de muitas formas incorporada, e seguida por muitas pessoas que teoricamente se admitem libertários.

Mas não, vocês me pediram para discutir fascismo, então vamos lá. Agora é importante esclarecer que primeiro estou descrevendo principalmente a posição conservadora, e a direita, conforme tal era percebida no ancien regime. O regime mercantilista, de proteção de privilégios, posse da terra, garantia de força de trabalho, estrutura de classes, e situações de exploração por meio de força do estado, esse era o primeiro status quo, que conservadores buscaram preservar, em face do desafio liberal, seu discurso de liberdade, igualdade perante a lei, fim do imperialismo, e constantes guerras, assim como as ideias de laissez faire, que eram prevalentes na Europa do século 19. Eu não acho que os conservadores modernos, são radicalmente diferentes, mais individualistas ou libertários que tais figuras do século 19, mas vamos trabalhar com essa distinção por um tempo.  

Assim, se considerarmos, de um lado uma posição e esquerda, liberal do século 19, contrastada com um sistema absolutista, de poder dos monarcas, corporativismo, e participação do estado, e imperialismo, que era favorecido pelos conservadores, espero que minha associação dos conservadores ao nazifascismo faça mais sentido. Um evento importante nessa minha trajetória, se encontra no governo de Bismarck na Alemanha, que para mim demonstra a posição, e políticas que definiriam o conservadorismo, durante o século 20.  

A Alemanha sobre Bismarck, foi marcada por um enorme crescimento do estado, sua atuação sobre a economia, e sociedade. Agora um fenômeno interessante nesse crescimento, é que tal em parte foi direcionado a fins socialistas, direitos sociais, cooptação e incorporação de sindicatos ao estado, controle das classes trabalhadoras. Assim muitos trazem esse governo para uma orbita, e um exemplo do que seriam os exemplos das sociais democracias.

Agora os fins, que essa incorporação do estado sobre a economia tomaram, eram por demais incomuns, se considerarmos as ideias, e elementos principais do ideário socialista Tais faziam parte de um projeto nacionalista, de gloria, e conquista imperial, que Bismarck, e o povo alemão almejava, e veio a se dedicar por meio das conquistas militares no século 20. Ademais tal buscava abertamente, proteger os interesses, poder das elites colocadas, com um sistema corporativista, que dava benefícios as grandes empresas, buscava manter, e proteger exatamente os privilégios da aristocracia, burocratas, e grandes empresários da Alemanha da época.

Eu considero essa contradição, entre o projeto nacionalista de gloria e poder, militarismo, imperialismo, uma glorificação de elites e grandes empresários, e o fato que tais são chamados a participar do governo, com a abertura ao trabalhismo, direitos sociais, uma retorica populista, e apelo as massas, um elemento frequente no discurso conservador. O governo de Bismarck, se tornou em enorme medida um modelo, o qual foi seguido por grupos conservadores no mundo todo. Assim uma trajetória da direita, no século 20, e de muitos grupos que aderiram a um projeto conservador, apenas pode ser compreendido, na forma em que tais apoiaram, em enorme medida tanto as medidas estatistas da direita, quanto da esquerda. Assim foram diversos governos republicanos sobre os Estados Unidos, a Inglaterra sobre Churchill, e tais não podem ser tão simplesmente desvinculados da compreensão do conservadorismo.

Assim a partir do sentido que eu faço esse recorte da experiência conservadora, no século 20, que eu principalmente associo esse movimento ao nazifascismo. Nazismo principalmente se diferencia do comunismo, por principalmente não buscar abolir organizações, fora do estado, mas sim coopta-las como método para realizar seu poder sobre a sociedade. Foi exatamente isso que o nazismo realizou na Alemanha, principalmente abordando a família, propriedade privada, indústria, de modo aumentar o poder do estado sobre indivíduos. Uma análise mais cuidadosa de governos conservadores, observa que tais fizeram a mesma coisa. O estado regulatório, e o corporativismo do governo, não foi particularmente diferenciado do praticado em outros locais, aonde a indústria, iniciativa privada, e livre mercado, foi em enorme medida colocado para cumprir as necessidades do welfare state, e do complexo militar industrial estatal. Esta foi a realidade nos próprios Estados Unidos da América, a terra da liberdade dos conservadores.

Esta não é a única base para essa comparação, já que em sua maioria, os regimes nazifascistas se voltaram a cumprir exatamente o mesmo programa mercantilista, de gloria e poder nacional, imperialismo e dominação militar, que foi primeiramente movido por conservadores. O século 19 foi uma era de imperialismo, conquista militar, escravidão que em enorme medida era defendida por conservadores, na base de mitos de gloria, nacional. Estatismo, a utilização do estado nacional para obter benefícios, e exploração econômica de outros povos e grupos, foi em enorme medida um projeto conservador, que os nazistas apenas ressuscitaram. Da mesma forma que Bismarck tinha feito anteriormente, Mussolini criou direitos trabalhistas sim. Mas tais não eram parte de uma enorme preocupação, abertura ao socialismo desses grupos, mas sim um método para incorporar as massas, classe trabalhadora, e o próprio movimento trabalhista, a suas ideias de conquista e gloria nacional.

Aqui é importante entender uma discussão que o próprio Rothbard já colocou entre os fins conservadores e liberais.  Em termos de fins de grupos políticos, Rothbard elabora que liberais e socialistas, ambos aceitam os fins de maior liberdade, melhores padrões e qualidade de vida para as massas, razão, fim a guerras, possibilidade de coerção e violência. Agora o autor contrasta tais fins, aos dos conservadores, a defesa da religião, do status quo, da sociedade baseada em privilégios, imperialismo e nacionalismo. É interessante, pois em enorme medida, o nazifascismo compartilha os fins, desejo de controle, manutenção da ordem, autoridade, e gloria nacional com conservadores. A diferença principal, se encontra quanto a em que medida os conservadores estão dispostos a se utilizar de coerção, violência para alcançar tais fins.

Bom, esse texto está aleatório, e não indo a lugar nenhum. Mas meus pontos são, o nazifascismo é em enorme medida uma evolução do sistema corporatista, tentativa de formação de um governo para as elites, e que se utilizasse do estado para proteger seus interesses, regime característico de governos conservadores. Em enorme medida o projeto nacionalista, de exaltação a violência, conquista e militarismo, que marcou o nazifascismo é herança dos próprios governos conservadores, que também atuaram exatamente nessa linha. E que a confusa defesa de direitos sociais, cooptação da sociedade, suas organizações e da sociedade civil ao estado, foi um projeto tanto conservador, quanto do fascismo na época. E essa é em grande medida minha base para a comparação.

Algo que é pouquíssimo levado a sério é a extrema ameaça que o coletivismo de direita representa no mundo atual. Da Na medida em que a glorificação ao militarismo e identidade nacional se manifestam, tais representam sérias ameaças a liberdade, que partem costumeiramente de conservadores, e os levam a fazer coro com fascistas, por isso minha recriminação e reclamação constante quanto a tais.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O problema do cálculo econômico sobre o socialismo.



Uma confusão muito comum na esquerda, se encontra na crença que o socialismo teria dado errado, principalmente pela emergência de regimes totalitários, que teriam pervertido o socialismo, destruindo a democracia. Uma análise mais cuidadosa, demonstra que a aparição de ditaduras, foi mais um sintoma, do que a real causa do fracasso de certos regimes.

Socialistas, ao aceitarem o controle governamental dos meios de produção enfrentam uma contradição inescapável. De um lado tais tinham os fins de maior liberdade, democracia, produtividade, elevação da qualidade de vida das pessoas, particularmente dos mais pobres. No entanto controle governamental dos meios de produção, torna impossível a realização desses fins. Com os meios de produção em posse do governo, não existe um mercado para meios de produção, não existindo um mercado, não existe um sistema de preços, capaz de alocar os meios de produção, conforme oferta e demanda, pelas necessidades das pessoas. O resultado logico aqui é o completo caos econômico.

Encarando a impossibilidade do socialismo em realizar seus próprios fins, a resposta de muitos regimes foi brutal. Os remanescentes da propriedade privada, e muitos dos ideais de liberdade e democracia, levaram a culpa pelas dificuldades que planejadores centrais encontravam em sua tarefa de reorganizar a sociedade. Essa resposta deu origem aos governos totalitários, e calamidades que observamos no socialismo histórico.

For Takver

Ancoms não são anarquistas.

  Marxistas e ancoms todos tem a pior ideia possível, de síntese entre a sociedade civil, e o estado. Tais não são estatistas em um sentido ...